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Mulheres na terceira idade devem manter os cuidados ginecológicos

Crédito: Reprodução

As brasileiras estão vivendo mais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente, a expectativa de vida das mulheres é 79 anos e 4 meses. E com a chegada da terceira idade, a atenção com a saúde deve ser ainda mais criteriosa e contínua, principalmente os cuidados ginecológicos.

A ginecologista Raquel Martins Soares explica que esse especialista tem um papel importante tanto na prevenção como no diagnóstico e tratamento de doenças durante a vida da mulher, seja na puberdade ou velhice. “O ginecologista é o clínico geral do sexo feminino, é ele quem vai pedir todos os exames laboratoriais para ver se tem diabetes, colesterol alto, como está a questão hormonal, entre outros. Além disso, é fundamental que a paciente continue fazendo o papanicolau, a ultrassonografia pélvica e a mamografia todos os anos”.

Outro fator destacado pela médica é que, principalmente a partir dos 60 anos, as mulheres devem procurar ginecologista anualmente para prevenção de doenças. Por exemplo, vários tipos de câncer como o de vulva, endométrio e ovário, que tem uma evolução rápida, acontecem predominante em idades mais avançadas. “Além de hábitos saudáveis e exames periódicos, para quem está com a saúde em dia, recomendo a reposição hormonal que também ajuda a evitar o aparecimento de doenças”.

Ainda de acordo com a médica, outras queixas comuns e recorrentes durante as consultas são ressecamento da mucosa vaginal, perda urinária, infecções urinárias, diminuição ou perda da libido, dor para manter relação sexual, entre outras.

DST’s na terceira idade 

Dados do Boletim Epidemiológico de 2017 apontam que, em 2016, foram registrados 1.294 casos de HIV em pessoas acima de 60 anos, crescimento de 15% e, segundo o Ministério da Saúde, entre 4% e 5% da população acima de 65 anos apresenta alguma doença transmitida sexualmente.

Raquel diz que isso está acontecendo porque as pessoas estão divorciando e arrumando novos parceiros. “As mulheres nessa faixa etária procuram, na maioria dos casos, homens da mesma idade e eles não têm o hábito de usar camisinha. Além das doenças sexualmente transmissíveis (DST), também notamos um aumento no câncer de colo de útero. É válido lembrar que o preservativo é o método mais simples e eficaz para prevenção contra DST e ele é indispensável em qualquer relação sexual, seja oral, anal e vaginal”.

Uma das mulheres que contraiu HIV após os 60 anos foi a Maria Silva*. Ela conta que conheceu o seu ex-namorado, de quem pegou a doença, em uma festa da terceira idade. “Ele ficou me paquerando durante muito tempo, acho que uns 2 meses, aí resolvi dar uma chance”.

Depois de uma forte gripe que a deixou internada por mais de uma semana, Maria resolveu fazer os exames de rotina, foi quando descobriu que estava com o HIV. “Não foi fácil. A gente pensa que isso nunca vai acontecer, ainda mais na minha idade. Tive muita sorte com os meus filhos, que estão do meu lado e me apoiam diariamente”.

Perguntada sobre como o seu relacionamento com o ex-namorado ficou após a descoberta da doença, ela relata que nunca mais quis vê-lo. “Não consegui mais olhar para a cara dele. Foi um desgosto grande, porque eu fiquei durante 2 anos sozinha depois do falecimento do meu marido e recebo isso de ‘presente’. Mas, não quero ficar lamentando, agora é me cuidar”.

Atualmente, Maria está fazendo o tratamento com cinco remédios, pode ter uma vida sexual normal e vai ao médico a cada 6 meses para saber como está sua saúde.

*A pedido, o nome da personagem foi preservado