Home > Economia > População com mais de 50 anos movimenta R$ 1,8 tri anualmente

População com mais de 50 anos movimenta R$ 1,8 tri anualmente

A expectativa de vida vem aumentando e torna o Brasil um país com população idosa crescente. E o impacto das pessoas a partir dos 50 anos na economia é evidente nos mais diversos setores como turismo, lazer, moradia, saúde, beleza e tecnologia. De acordo com a pesquisa Longeratividade, apresentada pelo Instituto Locomotiva, o público desta faixa etária movimenta R$ 1,8 trilhão ao ano, o equivalente a 42% do consumo das famílias brasileiras. Os dados reforçam que o mercado é bastante promissor e não deve ser ignorado.

Desse montante, R$ 902 bilhões vêm do trabalho, R$ 672 bilhões das aposentadorias, R$ 1,5 bilhão das pensões e R$ 35 bilhões de outras fontes de renda. A receita média dos brasileiros com mais de 50 anos, que estão no mercado de trabalho (39% da população), é de R$ 2.126. Eles representam um quarto da população e somam, atualmente, 54 milhões de pessoas. Até 2050, esse número deve crescer mais de 80%, passando para 98 milhões de consumidores nessa faixa de idade.

Ainda segundo a pesquisa, viajar mais é o plano da maioria (52%), seguido por quem pretende trabalhar e guardar dinheiro (40%), empreender (38%), mudar de casa (24%) e estudar mais (20%). Um levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional) também mostrou que os viajantes a partir de 65 anos representam cerca de 15% dos pacotes turísticos vendidos no Brasil para destinos nacionais e internacionais.

O marceneiro Jayme Oliveira, 67, é aposentado, mas não quer parar de trabalhar. “Ganho pouco mais que um salário mínimo e ainda tenho minha oficina como forma de completar minha renda. Não consigo me imaginar sem fazer nada ou sentado no sofá vendo televisão”. Ele conta que parte do dinheiro é gasto com as despesas de casa, plano de saúde e remédios. O montante que sobra fica guardado em uma poupança para emergências e lazer. “Eu e minha esposa vamos viajar em janeiro e ficar uma semana na cidade de São Lourenço. Todo ano fazemos uma viagem, seja a passeio ou para visitar os parentes”.

No ramo dos empreendedores, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) verificou que 17% dos novos empreendedores têm entre 55 e 64 anos e 8% têm 65 anos ou mais. Enquanto os mais jovens declaram empreender seus negócios para conseguir independência financeira, os mais velhos afirmam ter uma outra fonte de renda.

A cabeleireira Adriana Souza, 56, é dona de um salão de beleza. A maioria de seus clientes está na faixa etária entre 50 e 75 anos. “Já estou na profissão tem um bom tempo. Acredito que elas gostam do meu serviço, pois tenho um atendimento diferenciado. Sem falar no ambiente acolhedor que deixa todo mundo à vontade. Tenho paciência, sugiro cortes e explico quantas vezes forem necessárias. Isso conquista a confiança do cliente. Minha renda vem toda do salão e também da revenda de cosméticos”, conta.

Propaganda preconceituosa
Apesar dos dados mostrarem o potencial de consumo da população 50+, muitas empresas ainda não conseguiram enxergar esse cenário. A publicidade não é inclusiva o suficiente para cativar esses consumidores, conforme é evidenciado na pesquisa. Faltam estratégias específicas, produtos e serviços voltados às demandas desse grupo. 77% dos 50+ afirmam que as pessoas que aparecem nas propagandas costumam ser muito diferentes delas. Além disso, 87% dizem que gostariam de ser mais ouvidos pelas empresas.

Para o economista Fernando Matos, as empresas precisam investir mais na população acima dos 50 anos, principalmente na questão comercial de despertar o desejo de aquisição. “Elas precisam sair da zona de conforto para atender a esse nicho de consumo sem qualquer preconceito ou estereótipo. Essa é uma faixa etária que movimenta os mais diversos setores e injeta trilhões na economia como mostram as pesquisas”.

Ele afirma que esse é um mercado que está em expansão e deve continuar crescendo nos próximos 20 anos. “Muitas indústrias já se atentaram a isso e estão investindo, seja no atendimento diferenciado ou no oferecimento de um produto ou serviço que atenda ao público acima dos 50 anos. Eles têm um grande poder de compra e são fiéis quando gostam e se sentem representados pela marca”, finaliza.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.