Home > Geral > Apenas 16% dos mineiros fazem trabalho voluntário

Apenas 16% dos mineiros fazem trabalho voluntário

“Desde pequena me solidarizava com o sofrimento do próximo. Quando vi um familiar meu sendo preso por causa de drogas, decidi amenizar a tristeza dando amor a outras pessoas. O trabalho voluntário mudou a minha forma de enxergar a vida e ao próximo”. É o que afirma a analista fiscal Virlaine Ferreira que, há 2 anos, é voluntária em um instituto que auxilia diversos abrigos da capital. Esse serviço, em sua opinião, além de ser nobre, é importante para a sociedade.

A maioria dos mineiros parece concordar com Virlaine. É o que aponta uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência, a pedido da Ambev. Os dados assinalam que, no estado, 87% das pessoas sabem a relevância dos voluntários para as organizações sociais. Já para 77%, ser voluntário faz de si uma pessoa melhor. Mas, mesmo com essa percepção, apenas 16%, de fato, doam seu tempo para alguma causa.

O impacto positivo que as organizações têm em nossa sociedade também é valorizado pela opinião dos mineiros: 80% acreditam que a atuação dessas instituições é capaz de melhorar a vida de pessoas com menos oportunidades. Os números ainda mostram que 78% deles concordam que esse tipo de trabalho ajuda a transformar o mundo em um lugar melhor.

A vida da auxiliar administrativo Roberta Bossi foi mudada por meio do trabalho voluntário. “Estava desempregada, em uma crise depressiva, pedi auxílio em uma igreja e fui amparada”.

Ela recebeu uma cesta básica e esse gesto foi o suficiente para despertar nela o desejo de ajudar também. “Passei a ver as coisas de outra maneira. Nós não sabemos o quanto as pessoas sofrem até passar por um sofrimento. Tive contato com inúmeras situações: mulheres discriminadas, alcoólatras, idosos abandonados, viciados em drogas, etc. Me dei conta do desespero dessas pessoas que, por muitas vezes, são excluídas da sociedade. Vi o quanto são oprimidos e ridicularizados e isso me deixou com uma vontade de tentar mudar, ao menos um pouco, a situação deles”.

Na visão da psicóloga Ellen Senra, o fato da maioria das pessoas compreenderem a relevância do trabalho voluntário, mas não começarem um é um indício de má administração do tempo. “Entre doar o tempo para o outro ou trabalhar para si, muitos acabam ficando com a segunda opção. A questão financeira sobressai muito até para que já pratica, se a pessoa fica apertada, a primeira coisa que ficará de lado é o trabalho voluntário”.

No entanto, o serviço pode ser engrandecedor. “Boas ações revelam o que temos dentro de nós mesmos. De alguma maneira, esse tipo de doação gera bem-estar”, acrescenta Ellen.

Para fomentar a ideia do serviço voluntário, a psicóloga diz que o ideal é promover a ação. “É confrontar as pessoas e mostrar que precisam ter atitude e não ficar só na opinião. Muito além da admiração do trabalho voluntário, é preciso a proatividade de sair da zona de conforto e começar a fazê-lo”.

Na prática
Responsável pela ideia da pesquisa, a Ambev está à frente do programa VOA, que visa compartilhar com organizações sociais seus conhecimentos em gestão. “O objetivo é ajudá-las a se estruturarem melhor e, assim, ampliarem seu impacto positivo na sociedade. Por meio dessa iniciativa, a Ambev capacita ONGS e incentiva o voluntariado em seus funcionários. Todas as aulas do programa são dadas pelos empregados da cervejaria de forma voluntária”, explica Carlos Pignatari, gerente de Impacto Social na Cervejaria Ambev.

No primeiro ano do programa, 2018, 185 organizações sociais de todo o Brasil, selecionadas entre quase 2 mil inscritas, receberam consultoria personalizada. “Foram quase 200 voluntários que dedicaram 24 mil horas para ajudar as organizações a impactarem cerca de 2 milhões de pessoas. Em 2019, 71 novas organizações se juntaram ao programa, ampliando o seu impacto para mais de 5 milhões de pessoas nas comunidades em que essas organizações atuam”.

Pignatari acredita que as organizações sociais são motores para um mundo melhor. “Por meio do trabalho voluntário, ou seja, do envolvimento e apoio de todos, cidadãos, empresas e governo, podemos transformar realidades e ultrapassar barreiras”.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.