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50% das crianças de 7 a 9 anos têm seu próprio smartphone

Crédito: Reprodução

Gustavo Souza, 9 anos, dá show em muitos adultos quando o assunto é mexer no smartphone e nos aplicativos. Mesmo com a pouca idade, ele já tem o seu próprio celular. “Demos um telefone para ele com o intuito de facilitar a nossa comunicação. Por exemplo, já tomei multa na hora que fui buscá-lo na porta da escola e, hoje, minutos antes de chegar, já ligo e ele me espera no local combinado”, explica Astrid Souza, mãe de Gustavo.

De acordo com dados da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box: crianças e smartphones, assim como ele, metade das crianças de 7 a 9 anos (50%) também já possuem o seu próprio aparelho. O estudo revelou também que, cada vez mais, os pais liberam o acesso para seus filhos de até 12 anos. Em um ano, na faixa etária entre 4 e 6 anos, aumentou de 23% para 30% a proporção de crianças que tem um celular.

Sobre o comportamento de uso, 72% dizem impor limites no tempo, mas 28% não definem o período máximo de uso do aparelho. Mesmo com limitações impostas pelos pais, a média de horas por dia na frente do smartphone é alta e aumenta de acordo com a idade da criança. Na faixa entre 10 e 12 anos, por exemplo, 32% delas usam o aparelho por 4 horas ou mais por dia, estimam seus responsáveis.

A pedagoga Aline Dias diz que esses dados são reflexo da permissividade dos pais. “Independentemente da idade, as crianças têm cada vez mais facilidade de acesso à tecnologia. Por exemplo, quando são menores, ela é usada como uma forma de distração e para prender a atenção, até para os pais terem mais tempo de fazer outra atividade”.

Porém, o uso excessivo do celular pode trazer graves consequências para os pequenos, seja na vida social ou escolar. “Como usam muitos aplicativos de conversa, como o Whatsapp, algumas vezes, eles trazem as gírias do ambiente virtual para a escola e há casos também de uma rodinha e todos estarem conversando com várias outras pessoas a quilômetros de distância, mas nem olhando para o amigo que está ao lado”.

Aplicativos mais usados 

Ainda de acordo com a pesquisa, 0 a 3 e 4 a 6 anos, o campeão de uso é o YouTube Kids (70%), já a partir dos 7 anos, a liderança fica com o YouTube. O PlayKids é outro aplicativo voltado para o público infantil, que tem forte apelo na faixa de 0 a 6 anos, mas que perde força nas faixas seguintes.

Por sua vez, WhatsApp, Facebook e Instagram vão sendo cada vez mais acessados conforme as crianças crescem. Na faixa de 10 a 12 anos, o WhatsApp é usado por 71% das crianças que acessam smartphones; o Facebook por 50%; e o Instagram por 41%.

Limites 

Astrid relata que precisou conversar com Gustavo sobre o uso excessivo do celular. “Ele sempre me pedia um smartphone e, assim que ganhou, ficava quase o dia inteiro mexendo. Como trabalho o dia todo, não notei, mas a professora dele me chamou na escola e contou o que estava acontecendo. As notas chegaram a cair”.

Ela diz que proibiu o uso durante a manhã, período no qual ele está estudando, e quando está na aula. “Falei que se as notas não melhorassem, tomaria o celular. Além disso, também coloquei um aplicativo espião, para monitorar o que ele está fazendo on-line. Ele é muito novo para entender os perigos desse mundo”.

A pedagoga elucida que é preciso colocar limites no uso dessas tecnologias. “Atualmente, vários conteúdos são produzidos exclusivamente para as crianças e, por isso, são atrativos. Recomendo aos pais que sempre acompanhem o que os filhos estão vendo e o tempo que estão gastando nesse conteúdo. Ademais, os responsáveis também devem criar alternativas para tirar essas crianças de frente da tela, com brincadeiras interativas e mais chamativas do que as que elas possam encontrar no smartphone”, finaliza.