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Entre leões e hienas

Crédito: Alan Santos / PR

Fosse a política uma grande savana africana, quem seriam os animais dominantes? Esta é a pergunta que não quer calar em Brasília. Os leões, raros e presidentes de poderes, dominariam seus territórios, mas teriam limites ao atravessar a Praça dos Três Poderes. Este é o jogo na disputa por espaço. Poderes harmônicos, mas independentes. Só que no jogo da democracia cada leão chefe de poder estaria sendo monitorado por outros leões, já que diferente da natureza, a democracia não dá nem mesmo ao presidente poderes absolutos.

A maior habilidade dos humanos, segundo cientista político autor de livros, como Homo Sapiens, Yuval Noah Harari é a fofoca. Na política a fofoca impera e a imprensa é usada constantemente, mas as mídias sociais tomaram conta do pedaço e se transformaram em espaço aberto dos desentendimentos. A internet é a nova savana mundial, onde predadores e caças lutam todos os dias. É o controle social pregado pelo israelense Yuval. Depois de 15 milhões de anos a sociedade mudou pouco e o comportamento ainda é de luta pela vida e pela comida. O ambiente é que ficou mesmo diferente.

Acredito que não sabemos usar as mídias sociais. Estou convencido de que a internet chegou primeiro do que a evolução da humanidade. A política está assim, perdida sem saber como se defender do novo que já não faz muito esforço para entrar na nossa casa e roubar a nossa voz da garganta. Os políticos perderam o monopólio da política e ainda não descobriram isso. Com um celular se faz campanha todos os dias e não é mais preciso montar os palanques dos antigos comícios. Vários deputados têm mais de 1 milhão de seguidores. Uma postagem é um comício por dia. Custo zero. Os antigos estão penando e tentando se defender. Só que não! Não há defesa para a internet. Perdeu, excelência!

O vídeo que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) postou, apagou e pediu desculpa não saiu das mídias e muito menos da memória dos seguidores. Não é possível formatar cérebros. Esta é a novidade da política. Viraram massa de manobra, raposas antigas e felpudas. Perderam mandatos os apaziguadores. O momento agora é de guerra e de disputa. Os leões dos poderes são formados por meio de grupos sedentos para disputar espaço e guerrear. Esta é a nova política. Melhor ou pior, só saberemos na frente. Por enquanto, é tempo de disputa e não há muito espaço para os isentões.

Sim. As hienas existem e são predadoras como são os leões e disputam a mesma caça, a consciência dos eleitores que traduzem em curtidas que se transformam em votos. Por aqui, as hienas não matam leões, são comensais, vivem dos restos do que os leões conseguem em emendas parlamentares, empregos para afilhados e participação nos cofres dos partidos e nos fundos eleitorais e partidários. O mesmo Yuval dá um conselho fundamental: nunca subestimar a estupidez humana.