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16,4% dos empresários de Minas Gerais planejam contratar temporários

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupados vem caindo, mas o país ainda soma 12,6 milhões de pessoas buscando um emprego. E como forma de alívio a esse cenário, para atender ao aumento sazonal das vendas nesses últimos meses do ano, muitas empresas oferecem vagas de trabalho temporário. Segundo aponta uma pesquisa da Fecomércio MG, 16,4% do comércio varejista mineiro planeja contratar funcionários por tempo determinado nesse período.

Na visão do economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, a criação de novos postos de trabalho contribui para alavancar as vendas no setor varejista. “Os empresários devem aproveitar essa época para investir em novas formas de atrair e cativar os clientes. A contratação de temporários é uma boa oportunidade para agregar valor e personalizar a experiência de venda. Em tempos de lojas cheias, o atendimento pode ser o diferencial para a efetivação de um negócio”, explica.

O levantamento mostrou quais são os segmentos que terão mais admissões. No topo da lista aparece o ramo de tecidos, vestuário e calçados (35,5%), seguido por artigos de uso pessoal e doméstico (26,1%) e móveis e eletrodomésticos (21,7%). Entre as vagas que serão abertas, a maior parte são para a função de vendedor (58,6%) e operadores de caixa (13,8%).

Quem consegue uma vaga de trabalho temporário almeja a efetivação. Nesse aspecto, a pesquisa traz dados positivos e revela que a perspectiva de contratação é alta para 28,1% das empresas, enquanto que para 3,1%, a chance de fazer parte do quadro de funcionários fixos é muito alta. Caso aconteçam, as efetivações serão nos meses de dezembro de 2019 e janeiro de 2020.

Depois de passar meses tentando alguma vaga de emprego, Fábio Souza foi chamado para um trabalho temporário. “Mandei meu currículo para várias empresas e estabelecimentos, mas nunca era chamado. Passei perto de uma loja de calçados e tinha uma placa dizendo que estavam precisando de vendedor. A admissão foi quase que imediata e comecei a trabalhar no dia seguinte. Meu contrato acaba em janeiro e tenho feito o meu melhor para conseguir ser efetivado”, garante.

Quem também já passou pelo contrato temporário e, atualmente, é funcionária efetiva de uma papelaria é a operadora de caixa Talita Oliveira. “Consegui o emprego na época de aumento nas vendas de material escolar por conta da volta às aulas. A empresa estava com três vagas abertas e fui uma das escolhidas. Quando o período determinado passou decidiram me efetivar. Fiquei feliz demais. Acredito que o segredo é mostrar interesse pelo emprego, buscar sempre aprender algo novo e desempenhar outras funções”.

Cenário nacional
Dados recentes apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam a admissão de 91 mil trabalhadores neste fim de ano. Desse total, Minas Gerais deve concentrar a oferta de 10 mil vagas. O levantamento também revela que 8 em cada 10 vagas ofertadas deverão ser preenchidas por vendedores, operadores de caixa e pessoal de almoxarifado.

“A inflação baixa, os juros básicos no piso histórico, os prazos mais amplos para a quitação de financiamentos e, principalmente, a liberação de recursos extraordinários para o consumo, como os saques no FGTS e no PIS/Pasep, contribuem para a retomada parcial do nível de atividade do setor ”, disse em nota José Roberto Tadros, presidente da CNC.

Direitos do temporário?
O contrato de trabalho temporário é aquele em que o trabalhador é admitido para atender à necessidade de substituição provisória de algum empregado ou em razão de demanda complementar de serviços. É regulado pela Lei 6.019/74, com alterações legislativas pela 13.429/17 e pelo Decreto 10.060/19. As empresas podem contratar temporários por um período de 180 dias, podendo ser prorrogado por mais 3 meses. Depois desse prazo, o trabalhador só poderá ser contratado novamente como temporário 90 dias após o término do contrato.

O trabalhador terá registro na carteira de trabalho, na condição de temporário e recolherá Imposto de Renda e INSS. O empregado também tem direito a receber FGTS. Ele tem os mesmos benefícios dos demais empregados, como o pagamento de horas extras, adicional noturno, descanso semanal remunerado e 13º salário, proporcionais ao período trabalhado. É importante lembrar que o temporário não goza de férias, uma vez que não chega a atingir um ano de trabalho.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.