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Apenas 31% dos brasileiros possuem hábitos saudáveis na hora de comprar

A humanidade tem consumido mais do que deve. Prova disso é que, atualmente, a população utiliza 30% a mais dos recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra.

Dados colhidos pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontam que 98% da população considera importante consumir de forma consciente, mas apenas 31%, de fato, coloca em prática esse hábito.
A pesquisa revela também que o percentual de pessoas com dívidas no país, em atraso ou não, ficou 65,1%, acima dos 64,8% do mês de agosto e dos 60,7% de setembro do ano passado.

A análise mostra ainda que 6 a cada 10 consumidores aproveitaram a oferta de crédito para fazer compras por impulso. De acordo com a pesquisa, as principais aquisições feitas foram roupas, calçados e acessórios (19%), compras em supermercados (17%), perfumes e cosméticos (14%) e idas a bares e restaurantes (13%).

Para o economista e membro do conselho da Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza, Arthur Igreja, a grande maioria da população ainda está sedenta pelo consumo. Ele explica que no último boom econômico que o país viveu (pré-Copa do Mundo e Olimpíadas), a população teve acesso a um consumo maior e, naquela época, a sociedade viveu um consumismo desenfreado. “Ou seja, a consciência na hora de comprar ainda não é um conceito disseminado no Brasil”.

Comprar por impulso
As mulheres são as que mais consomem sem pensar. Geralmente, o sexo feminino compra itens de vestuário e acessórios por impulso (23%), enquanto que os homens tem o hábito de comprar eletrônicos (13%).

A internet parece ser um agravante, uma vez que um terço da população acredita que lojas online estimulam as pessoas a fazer novas compras por oferecerem mais possibilidades de parcelamentos. No entanto, os compradores também tendem a sentir essa facilidade para dividir suas aquisições em lojas de departamento (23%), supermercado (13%) e shopping center (12%).

Os dados mostram ainda que muitos consumidores não refletem o impacto da compra a prazo antes de se endividar. Um a cada 10 brasileiros parcela as compras no maior número de parcelas possíveis, independentemente do valor. E, na hora de comprar a prestação, o cartão de crédito fica em primeiro lugar no ranking (66%), enquanto que 13% dos compradores preferem o crediário e 4% optam pelo financiamento.

O cartão de crédito é utilizado, principalmente, para gastos na aquisição de eletrônicos (46%), compras de roupas, sapatos e acessórios (37%) e gastos com remédios (25%). Um em cada 10 consumidores disse que sempre prefere parcelar, independentemente das condições.

Consumo consciente
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), se os padrões de consumo e produção não diminuírem, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossa necessidade de água, energia e alimentos. Pensando em chamar a atenção da população acerca da necessidade de se consumir melhor, respeitando os limites do planeta, o MMA instituiu o Dia do Consumo Consciente (15/10).

O economista aponta que nunca foi tão importante falar sobre o tema. “Seja pela escassez de recursos ou por baixa na economia, a pessoa pode ter suas finanças organizadas se ela tiver um consumo mais consciente, além de todo o aspecto ambiental e social que estamos vivendo”.

A prática pode, segundo o especialista, auxiliar o mercado de um modo geral. Ele afirma que hábitos saudáveis de compra cria mais perenidade do que risco de curto prazo. “Sufocar o consumidor e provocar um consumo extremado não é uma boa ideia, pois pode levá-lo a problemas e fazer com não consuma mais naquele local. O ideal é criar um relacionamento saudável e sustentável para fidelizar esse cliente”.

Para ele, o consumo desenfreado pode trazer consequências como desastres ambientais crescentes e o aumento da desigualdade social. “O exagero no consumo tem feito a população ficar neurótica”.

O economista conscientiza que a pergunta que deve ser feita é: será que eu realmente preciso disso? “Às vezes, a pessoa quer comprar determinado produto, porém o ideal é esperar alguns dias para ver se o sentimento prevalece e começar a avaliar as aquisições anteriores. É preciso ter calma, paciência e refletir sobre o consumo”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.