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Demissões, brigas e desrespeito! Troca de técnicos no Brasil será incompetência?

Quando Charles Miller trouxe o futebol para o Brasil não tinha como imaginar que, depois de mais de um século, ele passaria a ser a paixão dos brasileiros. Estamos falando de milhões de torcedores apaixonados com seus clubes em todos os cantos do Brasil.

No dia 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, no Brás, em São Paulo, foi realizada a primeira partida de futebol do Brasil, disputada de forma organizada, entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo (Gas Company of São Paulo) e da Companhia Ferroviária de São Paulo, com o apoio de Miller, que tinha chegado da Inglaterra e trouxe na bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol, uma bomba de encher bolas e uniformes usados.

Os anos passaram e foram criados centenas de clubes de futebol em todo o país, movimentando bilhões de reais por ano. Mas, um assunto que vem chamando a atenção é o salário dos jogadores: R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil, R$ 400 mil, R$ 500 mil e até R$ 1 milhão por mês.Para piorar a situação, além dos fartos salários, tem ocorrido a demissão em massa dos técnicos.

A 21ª rodada do Brasileirão serviu para aniquilar de vez a falta de união da categoria de treinadores no país. Em oito jogos, quatro técnicos foram desligados de seus clubes em 24h. E olha que estamos falando de quatro gigantes do futebol nacional: São Paulo, Cruzeiro, Fluminense e Fortaleza. Cuca, Rogério Ceni, Oswaldo de Oliveira e Zé Ricardo saíram pelo mesmo motivo: péssima campanha dos times. Cuca, técnico do São Paulo, não suportou a pressão e abandonou o barco. Essa foi a terceira vez que o treinador desiste de um clube. Antes teve essa atitude com Santos e Palmeiras.

Já Rogério Ceni foi “derrubado” pela panela de jogadores do Cruzeiro. O clube agora deve R$ 2 milhões ao ex-treinador de rescisão. Detalhe: ele trabalhou em apenas oito jogos. A Raposa deve também para os jogadores, talvez esse rabo preso com o elenco. A gota d´água foi Dedé chorar na coletiva, pois o jogador disse que ele e sua família estão sendo atacadas por julgarem ele o culpado da saída de Ceni.
Se teve culpa ou não, esse será o ônus que o atleta vai ter que carregar por ser sincero e “desrespeitar” o comandante. Abel Braga, sempre ele, é o nome mais forte para comandar a Raposa. Felipão foi o primeiro a dizer não. Abel Braga, segunda opção, foi anunciado no final da tarde da sexta-feira, dia 27.

Zé Ricardo foi punido, porque o Fortaleza não faz boa campanha e o clube viu uma oportunidade de Ceni, ex-treinador do time, voltar de “graça”. Prova maior da desorganização, falta de regras e respeito.

Oswaldo de Oliveira, além da péssima campanha, também perdeu força porque a diretoria do Fluminense apostou mais nos jogadores do que nele. A falta de respeito de Ganso com o treinador, que o chamou de “burro pra c…” e foi retrucando com a fala “seu vagabundo”, tudo flagrado pelas câmeras de TV, é a prova maior da desorganização do clube. O polêmico jogador vai ser apenas multado pelo time.
Desde o início da Série A do Brasileirão, em abril de 2019, já tivemos 20 trocas entre técnicos e interinos. E não se assustem se na 22ª rodada (sábado, 28 de setembro) e domingo (29) novos treinadores forem demitidos. O clima dos vestiários deve ser pesado, com a supervaidade dos técnicos, e os jogadores “mimados” pelos empresários, alguns achando que são Pelé, Tostão, Didi, Carlos Alberto Torres, Zico, Reinaldo, entre outros craques que marcaram seus nomes nos gramados.

E sempre foi assim. O imediatismo pela busca de resultados é o pecado capital dos nossos amadores dirigentes. Gastam uma fortuna por causa dos próprios erros. Afundam os clubes em dívidas e tratam os torcedores com desrespeito, esse sim é o maior patrimônio de uma instituição.
O mais curioso e preocupante dessa história insana é que os técnicos reclamam desse círculo vicioso, mas quando estão desempregados assumem rapidamente a função aberta por causa de uma demissão.
Fernando Diniz foi anunciado no mesmo dia da saída de Cuca. Na mesma hora, a principal torcida organizada criticou a contratação. O diretor de futebol Raí disse que a escolha foi “consenso”. Houve espanto nas quatro saídas de técnicos em uma mesma rodada, mas essa é a 3ª vez que isso acontece no Brasileirão da era de pontos corridos (2003-2019).

Os outros dois momentos de desligamentos em tão pouco tempo aconteceram em 2010 e 2015. Em 2010, Silas (Grêmio), Estevam Soares (Ceará), Ricardo Silva (Vitória) e Toninho Cecílio (Prudente) deixaram o cargo entre 8 e 9 de agosto. Já em 2015 quatro treinadores saíram de seus clubes entre 16 e 17 de setembro: René Simões, no Figueirense, Enderson Moreira, no Fluminense, Julinho Camargo, no Goiás e Eduardo Baptista, no Sport.

Seria só incompetência dos dirigentes? Falta de união dos técnicos? Enfim, assim caminha o futebol brasileiro. 20 trocas de técnicos e interinos na Série A do Brasileirão: Avaí: Geninho > Alberto Valentim; Chapecoense: Ney Franco > Emerson Cris (Interino) > Marquinhos Santos; Cruzeiro: Mano Menezes > Ricardo Resende (Interino) > Rogério Ceni > Ricardo Resende (Interino) > Abel Braga; Flamengo: Abel Braga > Marcelo Salles (Interino) > Jorge Jesus; Fluminense: Fernando Diniz > Marcão (Interino) > Oswaldo de Oliveira >; Fortaleza: Rogério Ceni > Marconne Montenegro (Interino) > Zé Ricardo >; Goiás: Claudinei Oliveira > Robson Gomes (Interino) > Ney Franco; Palmeiras: Felipão > Mano Menezes; São Paulo: Cuca > Fernando Diniz; Vasco: Marcos Valadares (Interino) > Vanderlei Luxemburgo.
Até a publicação desta coluna, mais técnicos devem cair, o tempo dirá!

*Jornalista – sergio51moreira@bol.com.br