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Em BH, Pronto Socorro João XXIII já atendeu cerca de 800 pessoas atacadas por cães este ano

Duas mortes de crianças vítimas de ataques de pitbulls e rottweilers chamaram a atenção na mídia nas últimas semanas. Mirely Fernandes Souza, 7, que foi mordida após tocar na vasilha de ração do cachorro que pertence à família, e Emily Emanuelly Reis, 2, que dormia em sua casa quando os cães pularam a cerca do canil, entraram no imóvel e a atacaram.

Os casos levantaram um debate sobre a criação de raças temperamentais e dividiu opiniões no que se refere à agressividade que alguns cães podem apresentar. Só o Pronto Socorro João XXIII atendeu cerca de 800 pessoas atacadas por cachorro este ano. Estima-se que casos desse tipo têm aumentado 25% anualmente.
O Edição do Brasil conversou com o médico veterinário e diretor do Hospital Veterinário Animed, Marcelo Simões Dayrell, sobre o assunto que ganhou mais repercussão após esses dois casos.

De fato, existem raças mais temperamentais?
Sim. Algumas raças são mais geniosas do que outras. Ou seja, exigem um tratamento e cuidados específicos, pois têm uma índole instável. A definição de temperamento de um cão seria a maneira como ele interage e reage ao mundo que o cerca. Assim, podemos dizer que 50% do seu temperamento e de sua personalidade estão relacionados a sua genética. Chow chow, beagle, husky siberiano, akita, rottweiler, pitbull, sharpey, pastor alemão e pinscher são alguns exemplos de raças temperamentais.

O cachorro é um animal que ataca sem motivo?
Normalmente, os cães não atacam à toa. Assim como os seres humanos, eles também usam uma linguagem própria para se comunicar. O problema é que nem sempre sabemos interpretar os sinais e nos colocamos em perigo por não compreender o seu comportamento.
Se for provocado, qualquer cão, seja de porte pequeno ou grande, macho ou fêmea, pode acabar mordendo. Para evitar isso, o ideal é não incomodar ou assustar o cachorro, especialmente, quando ele estiver comendo ou com seus filhotes e brinquedos. Evite acariciá-lo quando ele for defender seu território, por exemplo, quando estiver atrás de grades, de sua casinha ou dentro de carros. Mantenha-se longe quando ele aparentar medo (rabo entre as pernas) ou bravura (mostrando os dentes).

Fala-se muito sobre pitbull e rottweiler. Eles realmente são mais perigosos ou é um mito?
É um mito. O que ocorre é que um ataque provocado por uma dessas raças pode causar sérias lesões devido à forte mordedura que esses cães têm e isso faz o fato virar notícia. Mas, o que noto em minha rotina de atendimentos é que animais de pequeno porte, muitas vezes, são mais agressivos. Porém, suas mordidas podem não machucar tanto. Pitbull e rottweiler são raças com genética voltada para força e trabalho. Entretanto, eles podem ser agressivos quando não são tratados da maneira correta. Contudo, se recebem carinho e amor desde filhotes, costumam ser dóceis.

Como lidar com essas duas raças?
O ideal é deixá-los soltos em um lugar amplo e fazer com que eles interajam com todos os moradores da casa, socializando-os a fim de fazer com que se torne mais seguro e amigável. Além disso, sempre deixar claro que são submissos aos tutores. Em situações de risco, deixar esses animais com focinheira e evitar aproximações abruptas de pessoas diferentes. Realizar a castração também pode auxiliar no controle da agressividade. Isso vale não só para pitbull e rottweiler, mas para todas as raças temperamentais.

Os dois ataques foram de cachorros das próprias famílias. Isso mostra uma tendência de ataque a pessoas próximas?
Tudo depende da criação. Normalmente, os cães que tem o histórico de agredirem seus próprios tutores são criados da maneira errada, ou seja, não se socializam e também não tem contato com a própria família. Geralmente, ficam isolados e, em alguns casos, presos em pequenas áreas durante todo o dia. Isso tudo pode engatilhar um comportamento agressivo.

As raças temperamentais combinam com crianças?
Combinam desde que eles sejam apresentados a elas de maneira correta. É importante que o cachorro conviva com a criança com certa frequência e desde sua juventude.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.