Home > Geral > Minas Gerais é o terceiro lugar com mais indenizações por acidentes

Minas Gerais é o terceiro lugar com mais indenizações por acidentes

Crédito: shutterstock

Em meio a uma sociedade polarizada em diversos assuntos, parece haver um consenso em um tema: o trânsito está cada vez mais violento. Segundo dados do boletim especial Motocicletas e Ciclomotores Dez Anos, produzido pela Seguradora Líder, o Seguro DPVAT pagou mais de 3,2 milhões de indenizações por ocorrências envolvendo os dois tipos de veículos. Desse total, 328.825 foram apenas em Minas Gerais, sendo que o estado ocupa a terceira colocação no ranking, ficando atrás apenas de São Paulo e Ceará.

Ainda de acordo com a pesquisa, quase 200 mil pessoas morreram e 2,5 milhões ficaram com algum tipo de invalidez permanente. Os números mostram também que, na última década, o recurso destinado à vítima de acidentes com motos e as “cinquentinhas” representam cerca de 72% do total de pagamentos efetuados (4,5 milhões).

Arthur Froes, superintendente de Operações da Seguradora Líder, diz que os estudos mostram que a falha humana é um dos principais motivadores da violência no trânsito. “Principalmente no caso de motocicletas. A falta do uso dos equipamentos de segurança e o deslocamento nos corredores das vias entre os demais veículos contribuem muito para o índice de ocorrências”.

Além do mais, o Índice de Condição da Manutenção (ICM), divulgado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em outubro do ano passado, pode ajudar a entender o porquê Minas Gerais é o terceiro estado com mais solicitações do DPVAT. Segundo a pesquisa, aqui, cerca de 21% das estradas sob responsabilidade do órgão foram avaliadas como ruim ou em péssimo estado. “É importante ainda lembrar que Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do país. São mais de 272 mil km de rodovias, sendo mais de 9 mil km de rodovias federais. Isso pode contribuir para o aumento do tráfego de veículos”, reitera Froes

Perfil 

O relatório aponta que as principais vítimas são os motociclistas. Entre 2009 e 2018, mais de 2,3 milhões de pessoas foram indenizadas na condição de motoristas, ou seja, 71% do total de benefícios pagos nesse período. A maioria dos condutores (75%) ficaram com algum tipo de sequela definitiva após o acidente, concentrando mais de 1,7 milhão de pagamentos. Se comparado o ano de 2009 com o de 2018, houve um aumento de 125% nos casos de invalidez permanente.

Os pedestres são o segundo tipo de vítima. Em 10 anos, foram pagas mais de 493 mil indenizações para quem se deslocava a pé no momento da ocorrência. Após ser atingida por uma moto, a maioria também ficou com algum tipo de sequela definitiva: foram mais de 417 mil sinistros pagos a pedestres vítimas de invalidez permanente no período (aumento de 254%).

“Além disso, a faixa etária mais atingida é a de 18 a 34 anos, considerada a porção economicamente ativa. Os jovens representaram mais de 191 mil indenizações do Seguro DPVAT por acidentes envolvendo motocicletas e ciclomotores nos últimos 10 anos no estado”, completa o superintendente da Seguradora Líder.

Um dos jovens que fazem parte dessa lista é o analista de rede de computadores Matheus Vileforte. Ele conta que, em 4 anos usando moto, sofreu 5 acidentes. “O que mais traumatizou foi um que aconteceu no Anel Rodoviário. Estava com pressa por causa da faculdade e o trânsito lento, quando, de repente, um carro foi fazer a mudança de faixa e não sinalizou. Eu estava com velocidade próxima a 100 km/h, acabei colidindo na traseira do veículo e praticamente voei por cima dele. Bati no chão já desacordado por alguns segundos, mas não cheguei a fraturar nenhum osso”, relembra.

Após o ocorrido, Vileforte resolveu vender o veículo. “Fiquei com medo. Hoje, uso carro para os finais de semana e, durante a semana, ônibus mesmo”.

Prevenção

Froes diz que as estatísticas do Seguro DPVAT mostram a necessidade de se investir em políticas públicas que ajudem na prevenção das ocorrências, como a rididez da fiscalização nas vias e a conscientização sobre o uso dos equipamentos de segurança e o respeito às leis de trânsito. “Usar capacete é fundamental tanto para quem pilota o veículo como para os passageiros. A atenção do motoqueiro, ao conduzir o veículo, e dos pedestres, ao atravessar as ruas, também é muito importante para a prevenção das ocorrências. Além disso, é necessário respeitar as leis de trânsito”.

Ademais, a ONU lançou, neste ano, um manual de segurança para motociclistas. Com o objetivo de atingir os locais onde os números de acidentes com motos são altos, o material oferece desde sugestões básicas de combate ao excesso de velocidade, utilização de itens de segurança e perigos da combinação de álcool e direção, até questionamentos mais específicos como os riscos das lesões ocasionadas pelos acidentes envolvendo motos. “No Brasil, o governo paulista foi um dos primeiros a receber o documento, que foi produzido pela Agência de Saúde da organização”, finaliza.