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Aplicativos são principal fonte de renda para quase 4 milhões de autônomos

Assim como a situação econômica, o mercado de trabalho no Brasil também segue em lenta recuperação. E enquanto milhares de pessoas não conseguem um emprego formal, a tecnologia aparece como uma rápida alternativa e ajuda a absorver grande parte dos desocupados. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada este ano, 17% dos 23,8 milhões de autônomos, ou seja, 3,8 milhões de pessoas do país fazem uso dos aplicativos como principal fontes de renda.

As plataformas são as mais variadas possíveis e vão desde transporte até venda de produtos e serviços, divulgação e delivery. As mais lembradas são Uber, 99, Cabify, iFood, Uber Eats, Rappi, DogHero, PetAnjo, entre outras. Dados do Instituto Locomotiva corroboram com a pesquisa e mostram que cerca de 17 milhões de brasileiros utilizam os apps para obter alguma renda. Esse total inclui os autônomos e os que têm emprego fixo, mas usam como complemento da renda.

Para o economista Fernando Matos, a tecnologia vem evoluindo ao longo dos anos e trazendo novidades positivas para a economia. “Existem diversos aplicativos e o trabalhador ainda pode fazer parte de várias plataformas ao mesmo tempo. Ela tem servido como forma de ganhar algum dinheiro para uma parcela da população que não consegue se recolocar no mercado de trabalho. Esse fenômeno foi potencializado pela crise, uma vez que os números mostram cerca de 13 milhões de desempregados. Mas acredito que quando o cenário melhorar, farão uso apenas como um complemento de renda e não mais como fonte principal”, afirma.

Ele alerta que esse tipo de prestação de serviço exige alguns cuidados. “É um trabalho informal e não têm vínculos empregatícios, embora tenha algumas contestações. Sendo assim, exige que a pessoa tenha ainda mais organização e separe uma parte do dinheiro para pagar por conta própria as contribuições ao INSS ou investir na previdência privada. A pessoa deve analisar o que for melhor e o que cabe no bolso, pensando nos benefícios e na aposentadoria. Apesar de ser lucrativo apostar em aplicativos, muitos brasileiros acabam esquecendo dessa parte burocrática e tão importante”.

O farmacêutico Carlos Augusto Carvalho perdeu o emprego há alguns meses. Sem conseguir uma nova ocupação, encontrou nos aplicativos de transporte particular sua nova fonte de renda. “Tenho um carro próprio que estava sendo pouco usado por problemas financeiros. Não pensei duas vezes e me cadastrei na Uber e 99. Não imaginava que fosse dar tão certo. O melhor é que posso montar meu próprio horário de trabalho e ter mais tempo para ficar com a família”, comenta.

Ainda segundo Carvalho, o valor recebido mensalmente superou suas expectativas. “Estou ganhando mais agora do que quando trabalhava em drogaria. Alguns meses costumo faturar mais de R$ 2 mil, mas tem que ter muita responsabilidade nesse tipo de serviço. Sempre coloco uma meta de corridas por dia e não volto para casa até conseguir”.

Também por falta de oportunidades no mercado, a psicóloga Priscila Alves decidiu buscar alternativas. “Sou apaixonada por cachorro e, fazendo uma pesquisa pela internet, descobri um aplicativo chamado DogHero. Ele serve para você prestar serviços de passear ou cuidar dos animais, enquanto os donos estão fora. Me encantei pela ideia e já trabalho com isso há mais de um ano. Sempre tem gente procurando, principalmente em época de férias. Ganho o suficiente para me manter, variando entre R$ 1.800 a R$ 2.500 por mês”.

O vendedor Gabriel Pereira trocou a loja pelas ruas. É que há pouco mais de um ano, começou a prestar serviços para o Rappi, um aplicativo delivery de variados produtos. “Eu já usava a plataforma e, quando fui demitido, resolvi me cadastrar para oferecer meu trabalho. Como já tinha habilitação para moto, o processo foi rápido. Tem mês que ganho muito mais do que recebia no outro emprego. O lucro fica entre R$ 2 e R$ 3 mil, sendo que ainda posso fazer meu horário de trabalho e até ter outra ocupação”, conclui.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.