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Quase metade dos jovens brasileiros ainda preferem comprar em loja física

Engana-se quem pensa que, pelo fato de estarem sempre conectados, os jovens tendem a fazer tudo no ambiente on-line. Prova disso é uma pesquisa, feita em 12 países pela plataforma de pagamentos Adyen, que mostrou que 48% dos brasileiros com idade entre 18 e 23 anos, a chamada geração Z, preferem comprar em lojas físicas. O indicador do Brasil, inclusive, ficou acima da média mundial.

Os smartphones são usados por 70% dos Z. Já os aplicativos têm adesão de pouco mais da metade dessa geração: 56%. A geração Y, 24 a 38 anos, é mais digital, nessa faixa etária, 78% das pessoas têm alta adesão a compras via celular, 64% a aplicativos e 74% a notebooks.

O imediatismo é uma forte característica da geração Z e isso foi notado no estudo e em relação a compra no e-commerce. Estima-se que 71% deles já abandonaram o carrinho em algum site ou aplicativo por encontrar dificuldades técnicas para finalizar a compra. Além disso, 60% já desistiu de comprar on-line por não encontrar seu método de pagamento preferido.

Tanto as lojas físicas quanto as virtuais respondem a essa demanda ofertando métodos de pagamento mais eficazes, como aqueles por aproximação. A partir disso, os dados apontaram que 1 a cada 5 entrevistados com idade entre 18 e 34 anos preferem efetuar compras com métodos de pagamento por aproximação, sendo a geração Z os que mais utilizam essas ferramentas, com 11% optando por cartões por aproximação no terminal contra 9% dos respondentes totais.

O estudo aponta ainda um consenso: na hora de consumir, todos buscam praticidade e conveniência na experiência de compra. Os dados mostraram que 7 entre 10 já desistiram de adquirir produtos devido à espera em filas. Mesmo sendo mais adepta a comprar em loja física, a geração Z é a mais propensa (35%) a abandonar a compra e desistir completamente do produto por uma má experiência na hora de consumir.

Para o especialista em marketing e comportamento de consumo, Gabriel Rossi, isso mostra que o consumidor está ficando mais exigente. “Nos anos 80, o brasileiro tinha vergonha até de trocar alguma coisa na loja. Com o passar do tempo, isso foi mudando e agora o perfil é de um comprador inquisitivo e exigente. Além disso, não há mais lealdade. As pessoas estão dispostas a trocar de marca se elas não respeitarem suas individualidades”.

O especialista explica que afinidade que algumas pessoas tem com a loja física vem do fato consumidores entenderem que aquela marca tem tradição, investimento e que aquela compra, raramente, dará problema. “Elas não querem ser surpreendidas negativamente, o ambiente físico mostra que determinada empresa tem condições de atender a demanda e que outras pessoas a consomem. Além disso, a experiência do olho no olho ainda é algo que gera maior confiança”.

Para ele, os mais maduros tendem a preferir o e-commerce devido a correria do dia a dia. “Os maiores usuários de plataformas on-line têm acima de 35 anos. Esses sites se tornam uma saída para o dia a dia atual. Temos duas economias: de um lado do bolso e o dinheiro, do outro o tempo. A geração X acaba por sustentar a economia, sendo responsável por ⅔ do PIB e ter o maior poder aquisitivo”.

Influência do e-commerce
O administrador Alessandro Silveira acrescenta que o fomento do e-commerce teve grande influência na maneira que as lojas ofertam determinados produtos. “A internet mudou completamente a forma da sociedade se relacionar e isso não foi diferente no mundo de compras. Antes da possibilidade de se consumir on-line, a pessoa tinha, basicamente, aquele espaço para comprar. As lojas virtuais mudam isso e mostra diversos produtos de maneira mais acessível o que faz com que o consumidor se sinta mais livre”.

Veio daí a necessidade das mudanças. “Os vendedores acabaram com uma obrigação muito maior de agradar seus clientes, seja em relação a preço ou a experiência que aquele consumidor terá na loja ao adquirir determinado produto”.

Ele observa que, cada vez mais, é essencial que o empresário esteja atendo a jornada de compra do consumidor. “Isso inclui todas as etapas anteriores e posteriores, desde um bom fornecedor, anúncios de qualidade, facilidade de pagamento, até a entrega do produto”.

Essa dica vale, inclusive, se aquele empresário deseja aderir ao e-commerce. “É preciso estudar ao máximo o perfil de quem compra aquele produto, o mercado, os fornecedores e concorrentes, demanda, custos e tudo o mais pode afetar o negócio”, finaliza.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.