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Trombofilia: silenciosa, condição pode causar riscos às mulheres grávidas

(Foto: Pixabay)

“Durante a gravidez era como se eu tivesse uma bomba relógio no meu corpo prestes a explodir”. Foi assim que a doceira Aline Reis se sentiu ao descobrir que estava com trombofilia, doença que aumenta as chances da mulher ter um quadro tromboembólico. A condição favorece a formação de trombos, ou seja, coágulos que entopem a circulação dos vasos sanguíneos.

A ginecologista Cintia Tavares explica que, na gravidez, os riscos são maiores. “A gestante está mais propensa a ter uma trombose venosa profunda ou uma complicação desse quadro que é o que chamamos de tromboembolismo pulmonar. O trombo é formado, por exemplo, nos membros inferiores, se desprende e vai parar no pulmão, o que resulta em uma embolia pulmonar”.

Em geral, a mulher tem mais esse risco. “O sexo feminino tem de 3 a 4 vezes mais chances de ter trombose. Na grávida, esse risco é 6 vezes maior e no puerpério, que é os 45 dias pós-parto, aumenta para 22 vezes”.

Cíntia elucida que, atualmente, a doença é a sétima maior causa de mortalidade materna em países desenvolvidos. “Durante a gravidez, ocorre uma elevação dos fatores de coagulação e uma redução dos níveis de anticoagulantes naturais. A própria condição da gestação leva a uma alteração que predispõe esse quadro. A estase, por exemplo, aumenta por causa de uma compressão do próprio útero gravídico, tanto que, quanto mais a gravidez avança, maiores as chances da mulher desenvolver a trombose devido a uma compressão dos vasos. O sangue tem facilidade para descer para os membros inferiores, mas dificuldade para retornar em consequência da gravidade”.

A gestação, por si só, é um fator de risco, mas a ginecologista lista outros. “Ter muitos filhos, varizes, doença inflamatória intestinal, infecção de urina, diabetes, um período de internação maior que 3 dias, o que significa que a mulher fica muito tempo acamada e dificulta a circulação sanguínea, a obesidade e também a idade materna maior que 35 anos”.

A especialista informa alguns sinais que devem servir de alerta para as gestantes. “No caso da trombose venosa de membros inferiores, seria um edema acentuado, é válido lembrar que é comum a grávida apresentar certo inchaço, mas quando ele é assimétrico, ou seja, uma perna maior que a outra, deve ser averiguado”.

O edema pode vir acompanhado de outros sintomas. “Dor e vermelhidão no local e ausência de mobilidade na panturrilha. No caso da tromboembolia, a embolia pulmonar, o sintoma mais frequente é a falta de ar e dor para respirar”.

Um desmaio alertou Aline do problema. “Fui internada e descobri a trombose e embolia pulmonar bilateral. A partir daí me recomendaram evitar situações de estresse e, quando engravidei, o uso de heparina injetável, diariamente, desde a descoberta até 40 dias depois do parto”.

Aline recorda que teve muito medo de perder o bebê. “Desde que tive a primeira trombose soube dos riscos, mas sempre segui as orientações médicas, contudo, o medo de morrer ou da minha gravidez ser interrompida me rondava constantemente”.

Já a professora Daniela Lima descobriu o problema durante a gestação. “Minha gravidez foi tranquila, quase não tive problemas com inchaço. Quando entrei na 35ª semana percebi um edema na minha perna esquerda que estava aumentando muito, mas acabei ligando à gestação e não me importando. Já na 36ª semana fui a obstetra, ela me encaminhou ao hospital para exames e a trombose foi diagnosticada”.

Daniela ficou 4 dias internada recebendo anticoagulantes. “Tive alta e meu parto foi marcado para a 38ª semana. Mas, graças a Deus, correu tudo bem e minha filha veio linda e saudável. Depois disso, precisei continuar o tratamento, em casa, por mais 6 semanas com injeções”.

Essas injeções são conhecidas como “picadas de amor”, visto que é um tratamento contínuo e necessário para que a gestação seja completa. “Esse tratamento deve ser suspenso antes do parto. No caso de cesárea, ele é reiniciado 12 horas após o nascimento do bebê. Já em caso de parto normal, 6 horas após”, explica a ginecologista.

O diagnóstico é feito por meio de um conjunto de análises. “É preciso investigar o histórico clínico da grávida, pesquisar a família, visto que o problema pode ser genético, avaliar os edemas, vermelhidões e queixa da paciente. Por fim, realizar exames de imagem e, em caso de suspeita, uma tomografia computadorizada”.

É preciso fazer um diagnóstico completo. “A nutrição do feto pode ser prejudicada por causa da trombose, isso porque algum trombo pode obstruir os vasos da placenta e gerar morte fetal. Por isso, a importância da descoberta e tratamento”, conclui.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.