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Instalação de pedras debaixo de viadutos gera polêmica

A decisão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) de instalar pedras embaixo de viadutos vem causando polêmica e dividido opiniões. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), a intervenção é uma medida de segurança para evitar danos nas estruturas causados pela queima de materiais, como fios de borracha para extração do cobre. Por outro lado, críticos alegam que a medida é apenas uma estratégia para evitar aglomeração da população em situação de rua nesses locais.

A ação faz parte das obras no Boulevard Arrudas, no trecho que compreende a Avenida do Contorno, entre as ruas Vinte e Um de Abril e Rio de Janeiro, e o viaduto Leste no Complexo da Lagoinha. O investimento total é de aproximadamente R$ 5,7 milhões. Estão sendo feitos serviços de urbanização, paisagismo, irrigação e iluminação. Os trabalhos começaram em abril deste ano e a previsão é terminar até o fim de 2019.

O viaduto Leste foi o primeiro local a ter o tapete de pedras colocado. Na última semana, equipes da PBH começaram a abordar pessoas sob o viaduto Nansen Araújo, onde as intervenções devem continuar. “Nossa grande preocupação é diminuir o desplacamento de concreto, que deixa a ferragem exposta e também afeta os aparelhos de apoio dos viadutos. Com isso, as vibrações causadas pelos veículos aumentam e podem gerar dilatações. Queremos evitar que ocorra qualquer tipo de incidente”, explica o Superintendente da Sudecap, Henrique Castilho.

Ele diz que uma questão importante é sobre as pessoas que roubam a fiação e vão para baixo das estruturas queimar o fio para tirar o cobre. “Além de deixar a cidade sem luz em vários pontos, o fogo perto dos pilares dos viadutos pode gerar um problema muito sério. É preciso cuidar da segurança e estabilidade das nossas estruturas”. Castilho ressalta, ainda, que a Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania está à disposição para auxiliar possíveis moradores em situação de rua que estejam debaixo dos viadutos.

O prefeito de BH, Alexandre Kalil, também defendeu as intervenções. Ele destacou que o atendimento social da população em situação de rua é importante, mas evidenciou os perigos ao se colocar fogo embaixo dos pontilhões. “Aquilo põe a população de Belo Horizonte em risco. Na hora que um viaduto daquele cair na cabeça, em um monte de carros, alguém vai ser responsabilizado”, afirma.

Reação negativa
O vereador Pedro Patrus (PT) usou suas redes sociais para criticar o projeto da PBH. Ele diz que a intervenção tem o objetivo claro de mascarar o verdadeiro motivo da afixação das pedras. “Uma escolha política por uma política higienista que, além de absurda, não enfrenta o problema social do alto volume de pessoas desassistidas em situação de rua hoje na cidade”.

O parlamentar comenta que pretende realizar uma audiência pública com a presença do prefeito Alexandre Kalil, do Superintendente da Sudecap, movimentos da sociedade civil, professores universitários de arquitetura e engenharia, representantes dos moradores de rua e pastorais. “A intenção é estabelecer o diálogo e a construção de alternativas humanizadoras de urbanização debaixo dos viadutos”.

Moradores de rua
Dados atualizados do Ministério da Cidadania estimam cerca de 8 mil pessoas vivendo em situação de rua na capital mineira. Mas de acordo com a PBH, existem 4.500 pessoas nessa condição. Atualmente, existem 14 unidades de acolhimento institucional com um total de 1.074 vagas, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.