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Neofobia alimentar: o medo de experimentar novas comidas

Você tem o hábito de recusar alguma comida e dizer que não gosta sem nem experimentar? O medo ou recusa em provar novos alimentos pode ser um sinal da neofobia alimentar. O transtorno é comum em crianças, mas pode avançar para a adolescência e chegar, inclusive, na fase adulta comprometendo nossa saúde.
A clínica geral Natália de Cerqueira explica que essa resistência pode ser causada por vários motivos. “A genética é um deles. Mas também é acarretado por uma hipersensibilidade ao sabor amargo, práticas alimentares restritivas e emoções negativas e compensatórias associadas à refeição. Além disso, a aparência, textura e cheiros não familiares podem contribuir para a recusa de alguns alimentos”.

A especialista acrescenta que o comportamento é típico na infância. “Geralmente, em idade pré escolar, de 2 a 6 anos. Porém, se algumas estratégias não forem estabelecidas para melhorar a aceitação de uma alimentação mais variada, pode permanecer até a adolescência ou idade adulta, gerando vários impactos a nossa saúde”.

Ela explica os prejuízos que o transtorno traz. “A neofobia limita a variedade alimentar, principalmente, sobre o consumo de frutas e vegetais, que são ricos em nutrientes e influenciam na nossa saúde e desenvolvimento em geral. Uma dieta mais variada e equilibrada reduz o risco de sobrepeso, desnutrição, diabetes e hipertensão arterial, problemas comuns nos adultos”.

Importância da infância
Natália elucida que os hábitos alimentares são formados precocemente, na infância, e que, dificilmente, se corrigem após essa fase. “O ambiente familiar é fundamental na educação nutricional. Desenvolver estratégias para impulsionar a cultura e a importância da alimentação saudável e respeitar as necessidades individuais melhorando, inclusive, as relações sociais são pré-determinadas de acordo com o que a pessoa come”.

A especialista adiciona que a intervenção nutricional na infância é fundamental para a promoção de saúde e prevenção de doenças. E foi isso que fez a web design Rafaely Caldeira procurar um nutricionista. “Eu não conseguia comer salada, frutas, grãos e nada com um tempero adequado. Minha comida era sempre gordurosa, salgada ou muito doce”.

Ela começou a reparar que seu hábito alimentar poderia ser um problema. “Via todo mundo comendo salada e me dava um nervoso enorme. Nunca tinha comido folhas, como espinafre, taioba, acelga, simplesmente por não conseguir nem experimentar. Mas comecei a ficar com receio de isso atrapalhar a minha saúde, sabia que uma hora a conta poderia chegar”.

Ela foi atendida e aconselhada por uma profissional da área, mas confessa que melhorar suas refeições não foi tarefa fácil. “Era uma luta comer uma salada. Comecei misturando o máximo que conseguia e temperando bem. Aí fui diminuindo e adequando ao paladar. Foi muito difícil e pensei em abrir mão disso várias vezes, mas minha médica me ajudou muito”.

Hoje, ela julga estar bem melhor. “Consigo comer salada no almoço e no jantar. Meu café da manhã também melhorou. Tenho comido mais frutas e tentado comer menos doces e industrializados. Me sinto melhor e tenho tentado explorar cada vez mais os alimentos”.

Tratamento
O tratamento para a neofobia alimentar deve ser feito precocemente, evitando carências nutricionais. “É importante o envolvimento e participação efetiva dos pais. Deve-se encorajar a persistência na variedade alimentar e usar frases de incentivo. A aceitação de um novo sabor, muitas vezes, precisa de repetição, sendo necessário um mínimo de 5 tentativas de experimentar um novo alimento para se ter um aumento na preferência pelo mesmo”.

Ela adiciona que a rejeição inicial muitas vezes é interpretada como uma aversão permanente, o que faz com que o alimento seja excluído da dieta. “Por isso é necessário estabelecer uma relação positiva. Incentivar as crianças a elaborar o prato, não obrigar, não castigar e não usar a comida como recompensa. E sempre focar em ofertar uma alimentação colorida e atrativa”.

Nat Macedo
Belo-horizontina, 22 anos. Graduanda em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Sá, fez cursos de Consultoria de Imagem e Design de Moda. Há 3 anos criou um blog voltado para o público feminino. Interessada em assuntos relacionados à minoria, gosta de dar visibilidade as pequenas causas voltadas a inclusão e empoderamento destes nichos.