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Infertilidade masculina não está ligada à impotência sexual

Crédito: Reprodução/Internet

Apesar dos avanços, a sociedade ainda sofre com o machismo e esse mal não afeta apenas questões sociais relacionadas aos comportamentos predeterminados como sendo de homens ou mulheres. Esse preconceito atinge diretamente à saúde masculina e instaura vários tabus que são difíceis de serem quebrados, um deles é a infertilidade.

Dados mundiais apontam que 15% dos casais que desejam engravidar apresentam algum tipo de infertilidade. Durante muito tempo, os empecilhos eram atribuídos às mulheres, apenas recentemente passaram a fazer parte do universo masculino. “Existe uma confusão no imaginário popular de que infertilidade está ligada à impotência sexual, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. O primeiro diz respeito apenas a qualidade e quantidade do sêmen e não tem relação nenhuma com a sexualidade”, diz o especialista em reprodução assistida Sandro Sabino.

O médico afirma que, na maioria dos casos de infertilidade masculina, não se consegue chegar a um diagnóstico preciso do que gerou o quadro. “Diferentemente do que acontece com as mulheres que nascem com todos os óvulos e vão se perdendo a cada menstruação, os testículos são como uma fábrica. Os espermatozoides são produzidos durante toda a vida, mas de maneiras diferentes e com variação de pessoa para pessoa”.

Doenças sexualmente transmissíveis, diabetes, caxumba, câncer, problemas na anatomia masculina, variações hormonais, uso de alguns medicamentos ou substâncias químicas, entre outros, podem ser alguns fatores que afetam a fertilidade. “Há ainda algumas profissões que também alteram a produção dos espermatozoides, como é o caso de ciclistas e motoristas no geral, pois eles têm que ficar sentados por um longo período e isso não é recomendado”.

Diagnóstico e tratamento 

Na maioria dos casos, a procura pelo médico acontece após um casal tentar engravidar, pelo período de um ano, e não conseguir. O profissional irá pedir vários exames, como o de sangue, para detectar os níveis de diferentes hormônios que desempenham um papel no desenvolvimento de espermatozoides; e um de análise do sêmen, que irá mensurar o volume e consistência do esperma, além da quantidade, mobilidade, forma e aglutinação dos espermatozoides e a presença de outras substâncias.

Sabino reitera que há tratamento para o problema. “Em alguns casos, é possível fazer uma inseminação artificial ou até uma correção do sêmen no laboratório e realizar uma fertilização in vitro. Além disso, recomendo para aqueles homens que passarão por alguma cirurgia na região reprodutora ou tratamento oncológico e que deseja ter filhos, procurar um urologista para orientar se seria o caso de congelar os espermatozoides”.

5 anos de tentativas

O engenheiro químico Francisco Gomes, 35, conta que ele e a esposa ficaram 5 anos tentando engravidar. “Após o primeiro ano, resolvemos procurar um médico para sabermos o que estava acontecendo, porém os exames da minha mulher estavam normais”.

Depois de mais de um ano fazendo exames, descobriu-se que a maioria dos seus espermatozoides estavam anatomicamente deformados e a única saída era uma fertilização in vitro. “Demoramos mais um tempo para fazer esse procedimento, pois ele é caro e precisávamos guardar dinheiro, mas cada centavo valeu muito a pena”.

Hoje, Gomes é pai de dois meninos gêmeos que nasceram há 2 meses. “A gravidez da minha esposa não foi fácil, tanto que ela teve que largar o emprego, mas ver a carinha dos meus filhos não tem preço!”, finaliza.