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O duelo e a política

Como nos filmes de faroeste, quem pisca primeiro na política leva bala. É o momento da decisão. Como em Minas, na política nacional, o governante não quer se aliar a políticos antigos e seus métodos considerados exauridos. Só que ainda nada foi inventado para colocar no lugar do velho e cansado governo de coalizão que, na verdade, é a prática de dividir o poder para governar. Sai um grupo e entra outro. Nas divisões antigas eram formadas capitanias políticas para faturar e  financiar políticos. Um círculo vicioso em que o deputado é levado a se eleger para roubar, depois roubar para se reeleger e se reeleger  para roubar até o ponto da confusão. O deputado acaba acordando do vício sem saber se está roubando para se reeleger ou se reelegendo para roubar. O duto foi cortado. Agora é resistência e reação.

Mudança pressupõe dor. Sempre. Esta é a fase e a falta de horizonte impera. Contam que o ser humano é adaptado a projetos e estradas. Quando um preso ainda não está condenado e não sabe exatamente quanto tempo ficará nas grades é o pior momento. Ele precisa de planos para cumprir a pena e sair. Os políticos estão sem planos. Me contam que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) dá uma dica entendida nas entrelinhas por políticos, libera uma emenda aqui, uma nomeação acolá e o ânimo toma conta para, em seguida, entrar areia. Ninguém sabe como lidar. Na
verdade, o caminho para o Palácio não está aberto e, segundo a poesia, esse caminho só existe quando você passa”. Poucos passaram. Há sim política, mas ocasional e nada por atacado.

O momento é de entressafra de líderes. A política ficou viciada em dinheiro. No Congresso, nas assembleias e Câmaras vira líder quem tem capacidade de arrecadação ou dinheiro para financiar campanhas. E não
é compra de votos de eleitor, mas de apoio mesmo de colegas eleitos. São lideranças compradas que viciaram o mundo político que não se renovou há anos. As consequências aparecem como esse apagão de líderes
naturais, com força e experiência na representação de setores da sociedade.

A fonte secou. Está difícil, mas não impossível, garimpar dinheiro para os partidos e frentes políticas. Fica agora aberta a estrada para a formação de novos líderes, mas eles só estarão no exercício da atividade nas próximas eleições. Enquanto isso teremos que viver mesmo esta fase na qual o presidente Bolsonaro cortou o canal que irriga
dinheiro para políticos ladrões liderarem. E sem líderes naturais para se enfrentarem nas trincheiras do debate aberto, a situação é a incerteza.

O Congresso que tanto pedia a independência chegou lá e não sabe o que fazer. O Centrão tenta ocupar o espaço com seus métodos antigos, mas é barrado pela opinião pública. Líderes inábeis assumiram posições importantes e as barbeiragens estão explícitas. Os deputados estão como cachorros que latem quando o carro passa.  Dessa desarrumação pode aparecer a nova política que assusta os que se reelegem sem saber o porquê. Essa é a expectativa. Tomara!