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12 homens na Lua, milhões de “lunáticos” na Terra

Foto: Divulgação/Nasa

Lá já se vão 50 anos quando produzi e apresentei o programa especial pela TV Itacolomi, que antecedeu a descida do homem na Lua em 20 de julho de 1969. Dada à importância do evento, guardei o script original onde escrevi de forma devaneadora: “Nas noites sem nuvens, os namorados olham para a Lua e dedicam-se frases românticas e batidas. Outros, no entanto, namoram a própria Lua, mas sem que vejam nela nenhuma fonte de amor. Fazem perguntas para as quais querem respostas: afinal, o que é a Lua? É um pedaço da Terra que se separou? É um pequeno planeta que sempre existiu desde que a Terra é a Terra? Nasceu antes da Terra? Como é a Lua? Por que não tem água ou, se a tem, é em pequenas e escondidas quantidades? Afinal, para que serve a Lua? Para tudo? Para nada? O homem vai deixar, efetivamente e pela primeira vez, o seu planeta. Afinal, para que serve a Lua, quando na Terra ainda há muito a ser feito pelo homem e para o homem”?

Foi um longo programa, com um texto inicial de 50 minutos e que estava previsto para durar 2 horas. Acabei ficando solitariamente “no ar”, improvisando durante 6 horas seguidas, porque houve atraso na programação calculada pelos técnicos da Nasa e tinha que esperar o histórico momento de transmitir ao vivo a alunissagem do Módulo e as cenas em que Neil Armstrong, (logo seguido por Edwin Aldrin), pisaria na Lua para recolher 25 quilos de amostras do solo e deixar na superfície alguns instrumentos científicos.

Durante o documentário, relatei desde a primeira vez que, historicamente, o homem teve o “sonho louco” de chegar à Lua (Luciano de Samosata, grego sofista e satirista, no início da era cristã), ao princípio da corrida espacial em 4 de outubro de 1957, com o lançamento do Sputnik; lembrei que um mês depois uma cachorrinha de raça esquimó, ou raça Laika – conforme ficou conhecida em todo o mundo – se tornou o primeiro ser vivo e mártir no espaço, porque não pôde voltar; enalteci o Vostok 1 levando à bordo o russo Iúri Alekseyevitch Gagárin que ficou uma hora e 48 minutos no espaço, de onde falou a célebre frase “a Terra é azul”; e rememorei, com os limitados (e reservados) dados disponíveis, toda a trajetória da corrida espacial até aquele dia.

Literalmente, a primeira referência que fiz no programa foi: “Setembro de 1608. Na feira anual de Frankfurt, na Alemanha, um holandês exibe um estranho objeto, parecendo um pergaminho enrolado, que serve para ver de perto as coisas de longe. Um italiano, Galileu Galilei, consegue um destes curiosos aparelhos e, empolgado, estuda-o durante 2 anos. Em março de 1610 escreve um pequeno livrinho, no qual afirma numa de suas 24 páginas: A superfície da Lua não é lisa nem esférica. Pelo contrário, está repleta de irregularidades”.

Ora viva! Galileu foi um profeta ao vislumbrar, há mais de quatro séculos, o que ocorre atualmente, onde parcela considerável da minoria dominante da humanidade vive no mundo da Lua. Por quê? Por ser repleto de irregularidades! Se apenas 12 homens (e nenhuma mulher) efetivamente chegaram à Lua e como o nosso satélite já não empolga nem namorados, agora não faltam “lunáticos” que vivem na Terra e adoram irregularidades e delas se alimentam, criando e fazendo o mal.

Que grande parte da suposta humanidade, seja desde a antiguidade de Nero e, cada vez mais (vide Hitler, Idi Amin, Papa Doc e tantos outros) é iludida/dominada por “lunáticos”, no sentido pejorativo da palavra, eu, particularmente, não tenho dúvida.

 Desvios e aberrações de toda ordem, roubos descarados, anomalias jurídicas, projetos fraudados, crimes de todo tipo, drogas aos montes, fome produzida pela improbidade administrativa e que provoca exilados pela miséria, se tornam cada vez mais comuns, não importando raça, cor, gênero ou nacionalidade. Pena que, se ainda há aqueles que se insurgem contra tanta desfaçatez, uma parcela considerável – talvez procurando arregimentar força – acaba usando dos mesmos artifícios das mentiras e do mal para enfrentar os que considera inimigos. Substituir adversários por ferrenhos inimigos não é a solução.  “A valentia que não se baseia na prudência chama-se temeridade”, já dizia Miguel de Cervantes nas páginas de “Dom Quixote”!

P.S. – Caso queira conhecer mais sobre os 50 anos do homem na Lua, o Museu da Imagem e do Som, na Avenida Álvares Cabral, 560, Centro de BH, está promovendo uma exposição sobre a TV Itacolomi e no próximo sábado, dia 20, às 19h, vai reproduzir em telão a parte inicial de 50 minutos do programa especial (e espacial) citado neste artigo, promover um debate ao ar livre também com a presença de astrônomos e disponibilizar telescópios para ver a Lua de perto. Pode ir: o dragão de São Jorge não vai aparecer e os lunáticos monstros reais daqui da Terra não se interessam por cultura.