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Profissões do futuro: tecnologia obriga mercado de trabalho a se reinventar

Crédito: Reprodução

A tecnologia fez desaparecer algumas profissões, mas também criou diversas outras. Isso comprova que o mercado de trabalho está em constante mudança e exigindo profissionais capacitados para suprir as novas demandas. Uma projeção do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aponta o surgimento de 30 ocupações em oito diferentes áreas nos próximos anos. A maior parte delas está relacionada à internet como engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D.

De acordo com Márcio Guerra, gerente da área de estudos e prospectivas do Senai, a tendência é que as profissões manuais e rotineiras percam sua relevância. “As ocupações de base cognitiva, ou seja, que requerem mais capacidade analítica, resolução de problemas, planejamento de soluções e interpretação de dados, terão mais valor para o mercado”.

Toda essa transformação é devido à chamada Indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial. “Ela é baseada em um processo de mais automação dos processos produtivos, que tendem a se tornar mais eficientes, autônomos e customizáveis. É uma integração do mundo físico e tecnologias digitais”, explica.

A área automotiva está entre os segmentos que mais preveem impactos da Indústria 4.0. O estudo do Senai mostra que quatro novas ocupações devem surgir, como mecânico de veículos híbridos, mecânico especialista em telemetria, programador de unidades de controles eletrônicos e técnico em informática veicular. A projeção é que, nos próximos 10 anos, 31% a 50% das empresas do setor demandem essas especialidades.

O segmento de tecnologias da informação e comunicação (TICs) é mais uma área que deve sofrer mudanças significativas e novas profissões também devem aparecer nesse mercado. Conforme a pesquisa, 11% a 30% das empresas vão demandar analista de Internet das Coisas (IoT), engenheiro de cibersegurança, analista de segurança e defesa digital e especialista em Big Data. Já para engenheiro de softwares, 31% a 50% vão buscar por esse profissional na próxima década.

Guerra acrescenta que o setor de alimentos e bebidas deve fazer surgir o profissional especialista em aplicação de embalagens. “As empresas querem produtos diferentes, não apenas em seu design, mas também em sua capacidade de armazenamento e durabilidade”. Ele diz que a construção civil também deve passar por mudanças e a criação de ocupações como técnico em automação predial e técnico de construção seca. “É um sinal para as pessoas empregadas busquem aperfeiçoamento”.

Para quem pensa em escolher uma ocupação ou já está inserido no mercado, ele salienta que nunca deve se acomodar. “Isso porque o processo de mudança é contínuo e estar atento as novas tendências é importante, buscando não apenas ingressar em algum trabalho, mas também permanecer e avançar na carreira profissional”, finaliza.

A estudante Larissa Carvalho está no 7º período do curso de ciência da computação e pretende fazer especialização para ser cientista de dados. “Sempre tive interesse por essas áreas de tecnologias. Acredito que o tema não é muito conhecido, mas deve se tornar uma das profissões mais relevantes e valorizadas pelas empresas no futuro”. Ela explica que o papel desse profissional é coletar, analisar e organizar informações, visando identificar quais são as novas tendências para que uma empresa possa alcançar os melhores resultados. De acordo com o site Love Mondays, o salário nessa área pode variar entre R$ 10 a R$ 15 mil.

João Lucas Guedes não teve dúvidas ao escolher qual carreira seguir. O rapaz está finalizando a graduação em engenharia mecatrônica. “É uma área que me identifico e penso em atuar na indústria automobilística. O curso me exige muito conhecimento em física, matemática e computação. É uma mistura de engenharia mecânica e eletrônica”. O salário médio varia de R$ 4 até R$ 7 mil. “Como é um setor ligado à inovação tecnológica, é preciso estar atualizado e atento às novidades que vão surgindo no mercado”, finaliza.


Novas ocupações


Automotivo

– Mecânico de veículos híbridos

– Mecânico especialista em telemetria

– Programador de unidades de controles eletrônicos

– Técnico em informática veicular


Construção civil

– Integrador de sistema de automação predial

– Técnico de construção seca

– Técnico em automação predial

– Gestor de logística de canteiro de obras

– Instalador de sistema de automação predial


Tecnologias da informação e comunicação

– Analista de IoT (Internet das Coisas)

– Engenheiro de cibersegurança

– Analista de segurança e defesa digital

– Especialista em Big Data

– Engenheiro de softwares


Química e petroquímica

– Técnico em análises químicas com especialização em análises instrumentais automatizadas

– Técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos

– Técnico especialista em reciclagem de produtos poliméricos


Alimentos e bebidas

– Técnico em impressão de alimentos

– Especialista em aplicações de TIC para rastreabilidade de alimentos

– Especialista em aplicações de embalagens para alimentos


Têxtil e vestuário

– Técnico de projetos de produtos de moda

– Engenheiro em fibras têxteis

– Designer de tecidos avançados


Máquinas e ferramentas

– Projetista para tecnologias 3D

– Operador de High Speed Machine

– Programador de ferramentas CAD/CAM/CAE/CAI

– Técnico de manutenção em automação


Petróleo e gás

– Especialista em técnicas de perfuração

– Especialista em sismologias e geofísica de poços

– Especialista para recuperação avançada de petróleo


Fonte: Senai

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.