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Miomas atingem cerca de 2 milhões de brasileiras

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A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) estima que 80% das mulheres em idade fértil tenham mioma. O Ministério da Saúde aponta que 2 milhões de brasileiras o desenvolvem todo o ano, enquanto que aproximadamente 300 mil perdem o útero por consequência do problema. Entre as inférteis, ele atinge de 5% a 10% das pacientes, mas só será responsável pela infertilidade em cerca de 2% dos casos.

Apesar de parecer assustador, o ginecologista Sergimar Miranda explica que o mioma é bastante comum e que se trata de um problema relativamente simples. “É um tumor benigno que 70% das mulheres, próximas aos 45 anos, terão. Mas, em idade reprodutiva, elas já estão aptas a ter. Contudo, apenas um em 8 mil é maligno”.

O problema não tem causa específica e pode ser assintomático. “Hoje, com a facilidade do acesso ao ultrassom, descobre-se os miomas com mais frequência. Quando ele é grande, a mulher pode apresentar sintomas, sendo que os principais são sangramento e dores no útero”.

Miranda esclarece que o mioma pode estar em vários lugares do útero. “Quando ele está do lado fora, faz uma compressão na barriga ou no intestino. Se ocupa a cavidade, pode levar a infertilidade, pois está localizado onde o embrião vai plantar. Quando se localiza no meio, pode interferir em uma possível gravidez ou não. E quando está dentro, pode levar ao sangramento”.

Mioma na gravidez

Quando a mulher tem mioma e decide engravidar é necessário cuidado. “Raramente precisa retirá-lo, mas, se for grande, a gravidez pode ficar incômoda e a gestante pode sentir mais dor e desconforto”.

Foi o que aconteceu com a auxiliar em gestão financeira Ana Cruz. Ela descobriu vários pequenos miomas em seu útero e, ao engravidar, foi aconselhada pelo médico a acompanhá-los mais de perto. “Ele disse que, se eles crescessem, meu bebê poderia ficar sem espaço. Além do mais, se de repente um deles apresentasse sintoma, como o sangramento, eu poderia ter problemas com a gestação”. Contudo, ela não teve complicações. “Fizemos vários ultrassons para acompanhar a evolução da gravidez, focando também nos miomas. Eles permanecerem no lugar e não aumentaram de tamanho”, informa.

O ginecologista acrescenta que, em alguns casos, os miomas podem ter 0,2 centímetros, em outros, 20. “Além disso, há mulheres que apresentam mais de um, já operei uma paciente e retirei 20 miomas de uma única vez”.

Miranda conta que, em alguns casos, o mioma pode ser confundido com gravidez. Essa confusão assustou a designer gráfica Victória Dantas. Aos 28 anos, ela começou a sentir alguns sintomas diferentes. “Sempre uma dorzinha e um peso, uma sensação de que, literalmente, tinha algo dentro de mim. Além disso, minha barriga deu uma leve inchada e pensei na possibilidade de estar grávida”.

 Ao procurar o médico, ela fez um exame de sangue que não constou gravidez. “Ele fez a ultrassom que mostrou um mioma de 8 cm. Pediu cirurgia, pois era grande e parecia estar crescendo. Não tive nenhum problema, mas fiquei com medo de perder o útero, pois ainda não tinha tido a oportunidade de ser mãe”.

O medo de Victória é o de várias mulheres, mas o ginecologista aponta que o risco de perder o útero é mínimo. “Principalmente se a mulher ainda não tiver sido mãe. A cirurgia é muito conservadora e ela só é feita se o mioma for grande, do contrário há apenas o acompanhamento”.

Além disso, a retirada do útero é uma opção. “Se a mulher já for mais velha e tiver muitos miomas ou se ele for muito grande, pode ser que se retire. Se não for esse o cenário, tudo é feito para manter o útero”, finaliza.