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AmBHulantes convida ciclistas para percurso com música e comes e bebes

Crédito: Carlos Hauck

Sabe aquela bicicleta que já foi sua companheira e hoje acumula poeira em algum canto da casa? Chegou a hora de encher os pneus dela, conferir os freios e desenferrujar as pernas. Criado para ser uma experiência itinerante, o AmBHulantes estreia em 2019 com cinco edições. A primeira será realizada no dia 15 de junho e tem início com um encontro na Praça Abadia, no bairro Esplanada, às 9h. A partir das 10h30, um ciclo-cortejo musical segue para outra praça, que só será divulgada no dia, na região Oeste da cidade.

Com cerca de 12 km, o percurso é simples e foi pensado para que todos possam participar. No local de chegada, que só será divulgado no dia, a programação contará com show do rapper Matéria Prima, com os DJs Luiz Valente, Sense e Kingdom. Partidas de Bike Polo, live painting de graffiti, rodas de conversa, feira com produtores locais, comes e bebes, além de performances e outras intervenções urbanas.

“O Ambhulantes é a junção de várias coisas que tenho feito nos últimos anos. Criei o Auto Sound System em 2015, junto com as Bicirangos, estrutura que você pedala para produzir sucos e cafés. Também teremos esportes não-convencionais, como o bike-polo (o polo é um esporte que, originalmente, se joga a cavalo e que há 100 anos ganhou uma versão adaptada à bicicletas) e o rolimã”, explica o produtor cultural e idealizador do projeto, Luiz Valente.

O evento também é um convite para unir atividade física à diversão.  “Nós temos uma visão mais irreverente do esporte, de não levar a bicicleta muito a sério, como em questões de desempenho ou competições”, diz Valente, que também é um dos organizadores do Bloco da Bicletinha, que no Carnaval deste ano arrastou mais de 5 mil ciclistas, segundo a Guarda Municipal de Belo Horizonte, em “magrelas” que receberam fantasias, pisca-piscas e luzes de LED.

“Nós fazemos assim para não separar a hora de praticar esporte com a que estamos curtindo, pensamos em misturar as duas coisas. Até para que a questão de sair do sedentarismo não seja algo forçado e que resume-se em você estar em casa totalmente parado ou na academia ou na rua fazendo exercícios. Queremos misturar isso, fazer um exercício, mas também encontrar amigos, curtir uma música, passear pela cidade, etc”.

A designer gráfica Paula Oliveira está animada com a ideia. “Basicamente, minha locomoção se resume ao transporte público e isso envolve trânsito e muito tempo parada. Agora, as patinetes elétricas surgiram como uma outra opção, mas ainda não são eficientes como meio de se locomover, além de envolver um custo superior até mesmo aos dos ônibus”, explica ela que, no início do ano comprou uma bicicleta com o objetivo de se movimentar mais, mas não se sente confiante de enfrentar a disputa por espaço pelas ruas de BH.

Mobilidade

A dificuldade encontrada por Paula não é exceção. Para o projeto, o debate sobre a mobilidade, nas grandes cidades e sua relação com a política e a cidadania, é necessário quando a rua se torna um lugar de passagem e os meios de transporte existentes não são acessíveis. “A minha intenção é que o AmBHulantes seja uma celebração de tudo que circula pelo espaço público transportado por bicicletas ou por carrinho de mão, com acesso livre à cidade, coisa que nem todo mundo tem. A gente não consegue enxergar bem essa dinâmica, porque hoje a cidade é tomada por prédios e carros e a gente vive sufocado nesse meio”, reflete Valente. Pensando na inclusão, o evento vai oferecer bicicletas cadeirantes para pessoas com mobilidade reduzida. A expectativa do organizador é reunir de 500 a mil “ciclistas ousados”.