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Febeapá do Stanislaw e o Feabapá atual

Se o Sérgio Porto (também imortalizado como Stanislaw Ponte Preta) ainda fosse vivo, é provável que trocasse o título se escrevesse um novo livro em sequência à sua célebre série Febeapá (Festival de Besteiras que Assolam o País). Agora seria Feabapá (Festival de Absurdos que Assolam o País).

Hoje, chegam a ser ingênuas as “travessuras” que deram origem às divertidas e verdadeiras histórias relatadas nas edições do Febeapá. Agora, funcionários (evidentemente credenciados para tal) do Superior Tribunal Federal, travestidos, quem sabe, dos incomensuráveis ricos sheiks dos Emirados Árabes, contratam cardápios à base de lagostas, camarões, vinhos premiados (só servem vinhos com vários prêmios internacionais) whiskies com mais de uma década de envelhecimento, etc e tal. Gente maldosa chega a insinuar que o menu pode ser usado em comemorações da “soltura”, indulto ou perdão de alguns políticos presos.

Por sua vez, o presidente da República, tão expressivamente eleito, cumpre uma promessa de campanha e libera o porte de armas para várias categorias de pessoas. Mas (surpresa!) inclui dentre os “beneficiados”, todos os políticos em exercício de mandato, sejam ele próprio, governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e estaduais e vereadores. Ou seja, mistura numa só panela um ou outro, até poderia ter porte de arma, com muitos, centenas (ou seriam milhares?) de integrantes de uma categoria que, ultimamente, está se notabilizando por ter em seu rol verdadeiros bandidos, assaltantes da combalida economia nacional, que respondem a processos por roubos, corrupção desenfreada, formação de quadrilha e por aí afora.

Incrível, mas o decreto do capitão presidente vai além e diz que crianças e adolescentes podem ter aulas de tiro sem autorização judicial. Basta o consentimento dos pais, desde que em local autorizado!

Talvez para ganhar a simpatia da imprensa, também coloca na lista das pessoas que podem ter uma arma de fogo na cintura ou na bolsa, jornalistas que fazem cobertura de fatos policiais. Ou seja, na sua grande maioria, profissionais em início de carreira, jovens, pessimamente remunerados. Será que agora qualquer um que faça matérias policiais em órgão de imprensa poderá andar armado? Meu Deus, a que ponto chegamos! No mundo inteiro, ao que eu saiba, nem correspondentes de guerra vão trabalhar armados. Me lembro de que na “Guerra dos 6 Dias” entre Israel e países árabes, quando Rubens Silveira e eu estávamos escalados pelos Diários e Emissoras Associados para cobrir o conflito, nem mesmo portaríamos uma simples gilete no trabalho (que não chegamos a exercer porque os combates cessaram antes do nosso embarque para o Líbano, ponto inicial da cobertura prevista).

Às vezes, tenho dó do capitão presidente. Governar tendo filhos que parecem passar o tempo todo “tuitando” e caçando confusão com até mesmo o general vice-presidente – que, de uma forma incrível, rapidamente passou de ser combatido e temido para ser visto como uma figura sensata e cordial. Pior do que os filhos é o tal “guru” Olavo de Carvalho. Seus posts, repletos de baixarias e termos chulos, atacam a todos que não o reconhecem como a “Suprema Divindade” que parece querer ser.

E os ministros? Ricardo Salles, do Meio Ambiente, diz que a questão do aquecimento global é secundária e acena com a retirada do Brasil do Acordo de Paris sobre o clima. Por sua vez, Damares Alves, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, diz que viu Jesus subindo num pé de goiaba: “… e eu pensava assim na minha cabeça: não sobe Jesus, você não sabe subir em pé de goiaba. Você vai cair, e você vai se machucar. Já te machucaram tanto na cruz. Eu não queria que Jesus se machucasse caindo do pé de goiaba”. Recentemente (dia 8 deste mês) asseverou que estava brigando para que a Funai (Fundação Nacional do Índio) fique “com a mamãe Damares, não com o papai Moro” (ministro da Justiça). Quem sabe – se vivo iria perguntar Stanislaw – ela não estava sugerindo um presente para receber no Dia das Mães? A tresloucada Damares ainda garantiu que “a princesa Elsa, personagem do filme Frozen, da Disney, vive sozinha num castelo de gelo porque é lésbica, mas vai aparecer acordando a Bela Adormecida com um beijo gay”!

No Brasil, com “marqueteiros” como os hoje citados, o Stanislaw diria que só falta o coelhinho da Páscoa ser convidado para o cargo de ministro das Inovações e Comunicações: afinal ele “distribui” ovos, nunca botou um sequer e muito menos sabe por onde eles passam!