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Remédios têm reajuste de 4,33%

Crédito: Jeb Editorial

O governo federal autorizou reajuste de até 4,33% no preço dos remédios para 2019. A alta ficou acima da inflação oficial, que fechou o ano em 3,75%, conforme apurado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse é mais um aumento que vai pesar no bolso dos consumidores, especialmente porque não tem como fugir desse gasto. A solução para quem precisa dos medicamentos é tentar buscar alternativas.

O cálculo foi feito pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Para chegar ao índice foram observados fatores como a inflação dos últimos 12 meses (IPCA), a produtividade das indústrias de medicamentos (fator X), custos não captados pela inflação, como o câmbio e a tarifa de energia elétrica (fator Y) e a concorrência de mercado (fator Z).

A aposentada Geni Aparecida reclama do aumento nos preços. “Tenho problemas com insônia, labirintite e pressão alta. Todo mês preciso desembolsar cerca de R$ 300 do meu salário com medicamentos. Não tenho como fugir dessa despesa. A elevação percentual pode parecer pequena, mas qualquer centavo no fim das contas faz muita diferença, principalmente para quem ganha pouco”.

Quem também está preocupado é o comerciante Amarildo Gonçalves. “Comprei meus remédios no início do mês e no preço que estou acostumado a pagar. Os vendedores da drogaria disseram que o valor deve ser reajustado a partir do próximo mês. Vai pesar um pouco mais no orçamento, afinal também tenho outras despesas importantes. Tomo um medicamento específico para o coração que custa R$ 230”.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, o reajuste nem sempre se dá na prática. “Historicamente, o aumento médio dos medicamentos tem ficado abaixo da inflação geral e do reajuste autorizado pelo governo. No acumulado de 2001 a 2018, a inflação geral somou 203,01% e o reajuste oficial totalizou 169,38% ante uma variação de preços dos produtos farmacêuticos de 159,81%, de acordo com o IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”.

Ele orienta que o consumidor deve sempre pesquisar nas farmácias e drogarias as melhores ofertas. “Dependendo da reposição de estoques e das estratégias comerciais dos estabelecimentos, aumentos de preço podem demorar meses ou nem acontecer”.

De acordo com o farmacêutico Wendel Guedes, optar por genéricos ou similares pode gerar uma grande economia. “Uma coisa que muita gente não sabe é que pode fazer essa substituição sem problema algum. Eles têm o mesmo princípio ativo e concentração dos de marca. Também possuem a sua eficácia comprovada”.

O farmacêutico indica também procurar uma farmácia de manipulação. “Esses estabelecimentos produzem o medicamento conforme a prescrição médica. Normalmente, os preços são um pouco mais em conta”. Ele alerta ainda que caso o consumidor esteja pensando em estocar remédio para aproveitar os preços, deve ficar de olho na validade e condições de armazenamento.

Wendel diz que para quem compra medicamentos de uso contínuo, uma dica é entrar em contato com o laboratório e fazer um cadastro. “Eles costumam oferecer descontos que vão de 20% até 60%. Essa é mais uma informação que o consumidor não sabe. Isso porque as farmácias e drogarias não podem fazer propaganda dos produtos com redução de preço”, explica.

Outra alternativa é recorrer ao Farmácia Popular, programa mantido pelo governo federal. Diversos medicamentos para diabetes, problemas respiratórios e hipertensão são distribuídos gratuitamente. Já para doença de Parkinson, osteoporose, glaucoma, rinite, colesterol alto, anticoncepcionais e fraldas geriátricas têm descontos que podem chegar a 90%. Basta comparecer a um estabelecimento credenciado, levando receita médica emitida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou particular, documento oficial com foto e CPF.

A aposentada Diva Menezes sofre de diabetes e pressão alta. Como forma de amenizar os gastos com remédios, os retira gratuitamente pelo Farmácia Popular. “A gente que ganha salário mínimo tem que controlar bem o dinheiro. Eu não tenho noção de quanto gastaria se tivesse que pagar, ainda mais agora com esse aumento”, finaliza.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.