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Desemprego faz aumentar o número de trabalhadores freelancers no Brasil

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Em meio a grande dificuldade de conseguir um emprego fixo, a saída que muitas pessoas encontram é trabalhar de forma independente no mercado informal. Prova disso é que o número de profissionais freelancers vem crescendo, conforme mostra um levantamento da trampos.co, empresa especializada em divulgação e contratação de serviços autônomos. Em 2015, a quantidade de brasileiros que atuavam em tempo integral como freelancer era de 51%. Já em 2018, último ano em que a pesquisa foi realizada, aumentou para 56%. Eles chegam a ganhar mais de R$ 4 mil por mês.

A coach de carreira Beatriz Carneiro salienta que o desemprego atinge, atualmente, mais de 12 milhões de pessoas. “Essa é uma das principais razões pelo crescimento do setor freelancer. Muitos não conseguem se recolocar no mercado formal e vão trabalhar por conta própria na tentativa de obter alguma renda. Entre outras razões está a flexibilização de horário, não ter um chefe e poder trabalhar de casa fazendo o que se ama”.

Ainda segundo Beatriz, a atuação de um freela não precisa ser apenas de abrangência local. “Hoje com a internet e dependendo do ramo de serviço escolhido, há a possibilidade de trabalhar para clientes de qualquer lugar do mundo. No entanto, existem alguns contras que devem ser avaliados antes de decidir entrar nesse ramo. Por exemplo, a remuneração não é fixa. Em alguns meses se fatura muito e em outros há pouca demanda. Também não tem contribuição ao INSS, 13º salário, sem falar no isolamento, já que muitos trabalham home office”, diz.

Por outro lado, a pesquisa da trampos.co também apontou que 34% dos brasileiros são freelancers nas horas vagas. “Nesses casos, a maioria já possui um emprego fixo e estão em busca de complementar sua renda. Mas é sempre bom alertar que é necessário que o profissional tenha um bom planejamento, cronograma, saiba divulgar e executar seu serviço e entregue um trabalho de qualidade ao cliente”.

O levantamento também traz informações no que diz respeito às preocupações de um freela. Para 69%, a maior dificuldade é encontrar clientes, seguido de precificar projetos (36%) e continuar relevante para o mercado (35%). Sobre o que sentem mais falta, o grande problema para 70% é a estabilidade financeira e relacionamento interpessoal (29%). No quesito renda mensal por idade, a média de ganho é de R$ 890 até os 20 anos, enquanto que na faixa etária ente 21 e 25 anos, o valor sobe para R$ 1.500. Entre 36 e 45 anos chegam a faturar R$ 4.170.

A designer gráfica Luíza Campos, 32, trabalha como freela há cerca de 7 anos, prestando serviços de criação de artes, logomarcas e layout para sites. “Fiz estágio durante a graduação, mas quando acabou o prazo fui dispensada pela empresa. Enviei meu currículo para diversas organizações e nunca era chamada. Para não ficar parada, decidi trabalhar por conta própria em um pequeno escritório improvisado no meu quarto”, conta.

No início, o mais difícil foi conseguir clientes. “Alguns já conheciam meu trabalho e me davam preferência. Precisei investir mais em divulgação nas redes sociais, sites especializados e contar também com a ajuda dos amigos e parentes. Eu também tinha dificuldade em dar preço ao meu serviço e fazer um orçamento corretamente. Com o tempo, fui aprendendo e consigo faturar uma média de R$ 3.500”.

Ela diz que por ser freela precisa administrar bem as contas e pensar no futuro. “Nós não temos uma estabilidade financeira. Tem mês que ganho um bom dinheiro, mas no seguinte tem menos trabalho. Sempre guardo uma quantia de emergência e faço o pagamento do INSS por conta própria, pensando em minha aposentadoria. A quantia que sobra utilizo para meu lazer”, conclui.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.