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A nova política

O mundo político existente até aqui foi extinto. O grave é que o novo ainda não foi construído e nem o projeto está pronto. Deputados e senadores estão na fase de observação e querem saber como será a relação com o novo governo. O sistema caiu de podre e por inteiro. Primeiro nas urnas. Antigas raposas que sugavam o sistema perderam.
Novos eleitos chegaram nos governos, na Câmara e no Senado. Inexperientes na política, uma vantagem considerável para não alimentar o sistema. É verdade que o parlamentar aprende mais a cada mandato, mas o que eles aprendem é que se transformou em problema. O momento é de estagnação. A política parou.

Em política não há espaço vago. É como uma piscina. Quando se retira um balde de água logo o sistema se recompõe e a estabilidade volta. No Congresso, grupos começam a se organizar, sem a força imperativa de sempre do governo. Deputados e senadores tentam organizar o chamado “bom senso” para empurrar o projeto liberal do governo. O escolhido é o ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Projetos e ações terão apoio dos deputados de diversos partidos que já identificaram o amadorismo do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro. A guerra de egos impera na sigla que elegeu o presidente.

O alvo visível é a Reforma da Previdência. Mais do que acabar com o desequilíbrio na aposentadoria, o projeto se transformou num grande termômetro. Pode indicar a decisão ou não do governo em levar a sério o controle fiscal. Vai definir a mensagem ao mercado de que o governo está forte e que tem apoio no Congresso. A Reforma da Previdência será o marco. Isto é importante já que em economia, a expectativa é um trunfo que vale investimentos.
Sem a política o que sustenta o presidente Jair Bolsonaro é o fio delicado da legalidade. O governo será sustentado pela opinião pública e esta é a grande novidade. O presidente, pessoalmente, é melhor avaliado do que o seu próprio governo. Nada que um bom trabalho de marketing não possa costurar.

As modernas tecnologias quase que reestabeleceram o sistema da democracia direta. Neste caso, os representantes como deputados, senadores e vereadores perdem a importância e as redes sociais é que tomam este lugar. O presidente fala direto com o cidadão e recebe retorno.

Só que grupo de celular não indica líder, não ocupa comissão e nem vota em plenário. Pelo menos quatro deputados e um senador já entregaram os mandatos a esta tecnologia. Vão votar de acordo com o que indica a sua rede. São deputados sem ideias, sem projetos e que se transformaram em meros administradores de grupos. Poucos deputados estão nesta situação, mas pode ser a semente.

A aposta do momento é até onde vai a decisão do governo em não nomear indicados, não distribuir cargos e correr da formação da base de apoio no Congresso. Os políticos profissionais estão na espreita e tentando descobrir até quando vai esta situação. A indicação é de que este é um caminho sem volta e que a força do presidente Jair Bolsonaro é o apoio popular. Um deputado diz aqui que nem adianta mais apoio do governo, obras, emendas e verbas para os municípios. O prefeito apoia a reeleição do deputado, mas já não tem mais a força de transmissão dos
votos. O experiente político alerta que enquanto o cabo eleitoral é aliado e trabalha por votos, os filhos estão pendurados no celular militando por candidatos que nunca pisaram na cidade. É a nova vida, a nova política. Na verdade ela sempre esteve aqui só que ninguém viu.