Home > Destaques > Você sabe o que “corta” o efeito do anticoncepcional?

Você sabe o que “corta” o efeito do anticoncepcional?

Crédito: Pixabay

Enjoo, tontura, cansaço extremo, variação de humor e atraso na menstruação. Não é preciso ser formado em medicina para saber que, na maioria das vezes, esses sintomas podem sinalizar uma gravidez. E foi exatamente o que eles significaram para a designer de joias Thamiris Martins. Mas, ela demorou a acreditar por um único motivo: tomava o anticoncepcional diariamente.

Assim como ela, cerca de 100 milhões de mulheres fazem o uso desse tipo de método contraceptivo, de acordo com dados de 2014 da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). No Brasil, 27% das mulheres, em idade fértil, também tomam o anticoncepcional. Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas, (ONU) feito em 2015, 64% das mulheres em um relacionamento também aderem a essa medicação e, no Brasil, o uso chegou a 79%.

Mas, o que pouca gente sabe é que algumas situações comuns do dia a dia podem cortar o efeito do medicamento. É o que explica o ginecologista Rodrigo Ferrarese. “O anticoncepcional é absorvido no trato gastrointestinal, logo, alterações intestinais como diarreia, doenças inflamatórias no intestino e vômitos podem diminuir sua eficácia”.

Alguns medicamentos também podem cortar o efeito. “A exemplo a fenitoína e carbamazepina, ambos usados na prevenção de convulsões, como na epilepsia ou após neurocirurgia. Existe um grande mito em relação ao antibiótico também diminuir a proteção. Hoje sabemos que poucos interferem no funcionamento das pílulas. Um deles é a rifampicina, utilizada no tratamento de tuberculose”.

Diferente do que muitos pensam, entorpecentes e bebidas alcoólicas não cortam o efeito. “Eles não atrapalham o metabolismo da pílula, mas pode fazer o paciente esquecer de tomá-la e isso pode levar a uma gravidez indesejada”.

Thamiris não sabe bem se algo semelhante aconteceu com ela, mas se recorda de ter estado gripada umas semanas antes de descobrir a gravidez. “Eu não deixei de tomar nem um dia a pílula, mas ingeri alguns remédios para aliviar os sintomas da gripe. Dentre eles, antialérgicos e analgésicos para a dor de cabeça”.

Ela conta que fazia uso de anticoncepcional durante 28 dias e depois trocava a pílula para que a menstruação viesse durante 5 dias. Mas em uma dessas trocas, o ciclo não iniciou. “Na hora eu sabia que tinha algo errado porque meu relógio é muito certo. Esperei uns 2 dias e fiz o exame de farmácia que deu positivo. Minha filha tem 2 anos, não foi planejada, mas é muito amada”.

Segundo o ginecologista, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. “Nem mesmo a laqueadura. Qualquer técnica pode falhar, umas mais, outras menos. A pílula anticoncepcional usada corretamente e com orientação médica tem falha menor do que uma gravidez a cada 100 mulheres”.

Ele salienta que, mesmo com a pílula, o uso do anticoncepcional não dispensa o preservativo. “Ele protege contra as infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia”.

Efeitos

Náuseas, tonturas e cansaço extremo. Dessa vez não estamos falando de gravidez, mas dos efeitos que o anticoncepcional pode trazer para o organismo da mulher. Em alguns casos, a pessoa apresenta tantos sintomas que atrapalham o dia a dia. “Na presença dessas queixas, o uso deve ser revisto”, explica Ferrarese

A estudante de direito Mariana Contas precisou cortar a pílula de sua vida. “Tinha tanta enxaqueca que não conseguia sair de casa. O corpo ficava horrível e vivia de TPM: ou estava muito triste ou com muita raiva”.

Ela insistiu por 3 meses, mas decidiu voltar ao médico. “Não adianta ficar sofrendo. Queria a pílula para ter uma segurança a mais e não engravidar. Tentei um outro remédio e meu organismo também não reagiu bem. Decidi ficar sem tomar nada por um tempo e, claro, não abro mão da camisinha”.

O anticoncepcional possui algumas restrições. “Além de mulheres grávidas, pacientes com história de trombose, como trombofilias, tabagismo (acima de 35 anos), trombose prévia e acidente vascular encefálico isquêmico (AVE) não devem usá-lo”, explica o especialista.

Outras doenças também requerem cuidados. “A hipertensão arterial não controlada, diabetes com complicações, enxaqueca com aura (aquela com sinais premonitórios de crise), doenças graves do fígado e câncer de mama prévio também se opõem ao uso dessas pílulas”.

Orientação

Para começar a fazer uso do anticoncepcional diário é necessário ter orientação médica. “É preciso saber, primeiro, se ela pode fazer o uso do medicamento e, em seguida, qual deles se encaixa melhor devido aos efeitos de cada pílula no organismo. Temos vários tipos à disposição e cada uma proporciona uma consequência como, por exemplo, melhorar ou piorar a acne e o inchaço”, esclarece o ginecologista.

Existe um período para início da medicação. “Ela deve ser iniciada junto com o começo da menstruação, no primeiro dia de sangramento. Porém, a orientação médica é a que vale e deve ser seguida”, conclui.