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Sonhos em cinzas: uma tragédia anunciada

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O mundo do futebol amanheceu naquela sexta-feira, dia 8 de fevereiro de 2019, com uma notícia trágica: 10 jovens das categorias de base haviam morrido em um incêndio durante a madrugada nas instalações do Ninho do Urubu, como é conhecido o centro de treinamento do Flamengo, clube mais popular do país.

Após todas as informações divulgadas referentes ao ocorrido com os atletas das categorias de base do Flamengo, no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu, muitas perguntas ainda estão sem respostas. São questões que vão desde a construção do alojamento, a sua regularização perante aos órgãos competentes e fiscalizadores, sucessivas multas ao local da tragédia e também como os dirigentes deixaram 24 adolescentes sozinhos dentro de um container.

Tivemos nesta triste tragédia (aliás, muito se discute se podemos mesmo chamar o ocorrido de tragédia ou qualificá-la, em verdade, como negligência e irresponsabilidade) a perda de 10 vidas, 10 sonhos, 10 famílias que de uma forma cruel e inimaginável foram destroçadas. Infelizmente, as ditas tragédias em nosso país acontecem de forma sucessiva, seja por fogo, por lama, por descaso, pelas “vistas grossas” e atos de irresponsabilidades sem precedentes.

Eventos como este ocorrido no Rio de Janeiro não podem ser classificados como simples obra do acaso ou mesmo uma fatalidade. O trágico acontecimento no Ninho do Urubu, onde tiveram a capacidade de transformar contêineres em alojamento para atletas e os colocaram onde estava previsto apenas um estacionamento, definitivamente, merece uma investigação rigorosa e punição exemplar aos responsáveis, até porque, jovens vidas foram precocemente ceifadas.

Algumas perguntas precisam ser esclarecidas: por que tantas multas aplicadas pela prefeitura carioca ao Flamengo? Por que nenhum sistema de alarme ou sensor foi acionado contra o incêndio? Se o sistema de ar condicionado não estava em perfeitas condições de funcionamento, quem do clube fiscalizava ou era responsável por tudo isso? Como manter alojamentos naqueles moldes, sem que houvesse todas as licenças necessárias? Onde está o Ministério Público da Vara da Infância e Juventude para fiscalizar o local dos fatos, bem como a atividade daqueles adolescentes? Já é sabido que não havia permissão da prefeitura para aquela instalação. Por que ignorar possíveis riscos e descumprir normas? Seria a garantia da impunidade ou o velho jeitinho brasileiro de resolver as coisas pelas vias impróprias?

Nosso grande defeito é sempre pensar em providências somente após os trágicos acontecimentos. A prevenção parece algo muito difícil. Nossa incapacidade de agir preventivamente salta aos olhos e custa muito caro. Não estou me referindo ao lado material (perfeitamente reversível), mas sim à perda de vidas, bem sagrado e mais precioso que temos.

Se todos concordam que fatos assim poderiam ser evitados em grande parte, de alguma forma, há sempre algum grau de negligência, maior ou menor, que os favoreça. Portanto, como já dito alhures, não podem ser só fruto do acaso ou mera fatalidade. A impunidade e o vício da improvisação e medidas paliativas presentes no dia a dia do brasileiro, contribuem sobremaneira para o aumento desses traumáticos e danosos eventos.

Várias são as perguntas, mas, por ora, poucas respostas! Afinal, até quando?