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Minas Gerais tem 117 mil inscritos em site de infidelidade

Crédito: Pxhere

Na música, no cinema, no teatro, na ficção e na vida real, a pergunta se repete: quem nunca traiu ou foi traído? A plataforma de casos extraconjugais Ashley Madison entrevistou cerca de 2.000 membros para descobrir o que os levam a trair. A rede social divulga ter 55 milhões de usuários no mundo. No Brasil, segundo maior mercado do site, são 8,9 milhões de membros, destes, 117 mil são inscritos de Minas Gerais.

Homens e mulheres buscam resultados semelhantes em uma relação fora do casamento ou namoro, mas alguns fatores pesam mais que outros. Além do sexo, 43% das mulheres buscam a sensação de “borboletas no estômago” novamente, enquanto apenas 23% dos homens vão atrás dessa sensação. As mulheres também procuram explorar novos desejos (41%), enquanto somente 39% dos homens querem o mesmo.

Quando perguntados sobre o motivo pelo qual traem, 56% disseram amar seu parceiro, mas estão procurando mais satisfação sexual, 17% afirmaram que buscam satisfação emocional. Outros 33% dizem achar interessante ter um parceiro externo, enquanto 24% dizem que procuram manter a família unida (paradoxalmente, a justificativa é de que preferem trair do que separar).

Júlia*, de 30 anos, foi casada por 10. Ela atribui ao desinteresse do marido o motivo pelo qual viveu um caso por 2 anos. “Meu esposo se preocupava em me agradar quando não era casado comigo. Depois que casamos nem a data do meu aniversário lembrava mais, passava horas no videogame, chegou a ficar mais de 3 meses sem dormir comigo. Quando reclamava, ele dizia que era a única diversão que tinha”, lembra.

Ela conta que ficou deprimida por achar que não tinha mais atrativos. “Só que os olhares de pessoas na rua não pararam e me interessei por outro homem. Acabei traindo, não pelo sexo, mas pelo jeito com que a outra pessoa me tratou, com carinho e respeito. Ele reparava se fazia a unha ou o cabelo. Coisas que meu esposo não notava”. Sobre se arrepender? “Sinceramente, não”.

Não é o caso de Bruna* que namorou dos 14 aos 21 anos. Vingança e imaturidade aparecem como motivações. “Primeiro, já tinha sido traída. Segundo que comecei a namorar muito nova. Durou minha adolescência inteira e isso desgastou muito o namoro”.

Hoje, com 24 anos, diz se arrepender. “Vejo a traição de outra forma. Ninguém precisa ser traído. Se o relacionamento está desgastado e há interesse por outra pessoa, existem outras maneiras de reverter a situação”.

Durante um relacionamento de 4 anos, a insegurança fez com que Sara* traísse o namorado. “A falta de confiança e alguns indícios me fizeram sentir muita raiva. Por vingança, eu traí para amenizar o sentimento e não ficar como vítima”, explica. Até hoje ela diz não saber se tem arrependimento ou não. “Acho que traindo ou não haveria término. O ato em si não foi bom, mas a sensação de não ter sido a vítima da situação me conforta”.

Trair não é sobre o outro

O psicólogo Maurício Barbosa explica que o ser humano é orientado por dois princípios: a busca pelo prazer e o afastamento do desprazer. “Independente se ela já tem prazer, a busca por essa sensação é uma marca ancestral do nosso inconsciente”, afirma.

Ele esclarece que sempre estamos buscando sermos reconhecidos, aprovados e amados. “Isso gera muita satisfação, toda vez que somos aceitos por outro ser humano voltamos a ter um prazer de acolhimento e de importância. Sentimento marcado pela primeira infância que nos faz querer repeti-lo o tempo inteiro. Por esse caminho é fácil chegar ao contato físico e, posteriormente, ao sexo”.

Barbosa elucida a anatomia do arrependimento. “Quando existe um desejo inconsciente e é realizado por meio do ato, ele some da referência do inconsciente. Por isso, a melhor forma de se livrar de um desejo é realizá-lo. Caso isso ocorra sem que a pessoa tenha sido pega, é muito difícil que esse pensamento fique martelando e causando culpa. Se pego, por uma questão cultural, a pessoa tenta entender que ela precisa se responsabilizar pela atitude em que o pagamento pode ser o arrependimento”.

Segundo o psicólogo, não existe receita para lidar com a vontade de trair. “A pessoa monogâmica tem que entender que o desejo é dela. Ela não pode sobrepujar esse desejo sobre outros. É preciso tranquilidade para entender o que está acontecendo, tolerância para saber as frustrações que você consegue lidar para manter a relação e sempre confiar mais em si”, afirma.

*Nomes fictícios foram colocados a pedido das entrevistadas.