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País possui apenas uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes

Não é novidade que a leitura não é um hábito no país. O Ibope estima que 44% da população não tenha o hábito de ler e 30% nunca sequer comprou um livro. Mas, outro dado chama a atenção: no Brasil existe apenas uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes, sendo 7.166 cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas do Ministério da Cultura.

Para a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª região, Marilia Paiva, não há um padrão universal de bibliotecas por habitante. “No país, assim como em Minas, não temos sequer uma biblioteca pública por município, ou seja, estamos buscando ainda a existência desses espaços para depois qualificá-los e multiplicá-los”.

Para ela, isso é consequência do baixo investimento público na educação e cultura. “Isso acontece por dois motivos: a ignorância dos gestores públicos em relação a essas políticas ou a intenção deliberada de não fortalecê-las. Os dois são alarmantes”.

Ela acrescenta que, em alguns municípios, prefeitos abrem e fecham bibliotecas indistintamente. “Muitas cidades têm o espaço com esse nome, mas sem nenhuma estrutura física adequada, sem pessoas qualificadas, desenvolvimento de acervo, muitas vezes sem um centavo de previsão orçamentária. De que adianta? Isso é uma lástima, pois, além de negar esse direito à população, gera uma impressão de que o lugar é uma biblioteca, quando não é”.

Em alguns lugares, voluntários tomam a iniciativa de criar a biblioteca. “Eles formam um acervo e o oferecem, mas, infelizmente, isso não mudará a realidade do país, embora possa ter um impacto para as pessoas que são beneficiadas com a ação”.

No fim das contas, é um lugar seguro. “Tanto físico quanto intelectual para o aprimoramento e busca do conhecimento, além das trocas de ideias e experiências. Um espaço que não é só relacionado à vida cotidiana e concreta, mas, a todas as possibilidades de crescimento, mesmo as que estão fora da esfera do dia a dia”.

A importância de uma biblioteca é valorizada pela web designer Ione Iaguczeski. Ela tem o hábito de frequentar bibliotecas desde a infância e há 6 anos é cadastrada em uma próxima a sua casa. “Sempre fui e lia lá dentro mesmo, aí cadastrei para levar o livro para casa. Toda semana faço empréstimos”.

Ela conta que o ambiente tem várias salas, é inclusivo e o acervo é atualizado. “Tem livros de literatura e de estudos, salas de computadores para pesquisa, escritores regionais e grandes nomes”.

A leitura no Brasil
Para Marilia, o brasileiro, no passado, não teve acesso à leitura e a falta do hábito é um reflexo disso. “Algumas pessoas não têm acesso dentro de casa também, nem nas escolas ou municípios. Entramos em um ciclo vicioso de afastamento da leitura”.

Ela afirma que é preciso garantir a continuidade e um orçamento para desenvolvimento de espaços que promovam a leitura. “A formação de pessoas é desprezada, e as bibliotecas não fazem parte adequadamente das políticas de informação, educação e cultura, ficando soltas à mercê de ações isoladas e fragilizadas”.

Marilia assegura que a manutenção dessas políticas seria a solução. “Torná-las sólidas e abrangentes de informação, educação e cultura. Formação de pessoal em todos os níveis para o atendimento final, seja em escolas, centros de cultura, bibliotecas públicas e escolares. Isso envolve a valorização social da leitura e escrita e a formação de mediadores para possibilitar o acesso”.