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8 em cada 10 brasileiros admitem tomar remédios sem prescrição

Queimação no estômago, dor de cabeça, febre ou até mesmo um mal-estar são apenas alguns dos sinais do corpo para indicar que alguma coisa não está funcionando bem. E, para resolver rápido o problema, muitas pessoas têm o hábito de buscar sobre os sintomas na internet e fazem o uso de medicação por conta própria. Um estudo feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revelou que 79% dos brasileiros com mais de 16 anos admitem tomar remédios sem recomendação médica.

A porcentagem é a maior desde que a pesquisa começou a ser feita pelo ICTQ. Em 2014, 76,2% diziam automedicar-se e em 2016, 72%. Para o pesquisador da entidade Ismael Rosa, a facilidade de acesso pelo smartphone faz com que as pessoas pulem etapas. “Elas vão direto para a internet fazer o autodiagnóstico, ao invés de procurar um médico. Também seguem dicas das redes sociais ou de amigos e parentes, sem saber se estão corretas”, afirma.

De acordo com o farmacêutico e assessor de diretoria do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Gabriel Barbosa, a automedicação é um perigo. “Remédios são substâncias químicas e podem apresentar reações indesejáveis, além do seu efeito benéfico. Eles podem sofrer interações entre si e com alguns tipos de alimentos, interferindo na sua ação no organismo e levando ao desencadeamento de outras patologias. O uso de forma errada e desnecessária pode mascarar a existência de alguma doença ou agravar um problema de saúde já existente”, alerta.

Para Barbosa, a automedicação é uma questão cultural do brasileiro. “As pessoas sempre têm uma farmácia em casa para suprir problemas de saúde mais simples como dores de cabeça, desconforto gástrico e a famosa ressaca. Muitos também têm o hábito de trocar informações sobre medicamentos, sendo essa uma prática de risco. Os remédios são prescritos de forma individualizada ao paciente, levando-se em conta vários aspectos de saúde”.

“Dr. Google”
As pessoas têm preferido buscar respostas pela internet ao invés de consultar com um médico. “Elas se baseiam em determinados sintomas para fazer o diagnóstico de patologias e já buscam também o tratamento. Tomar medicação por conta própria, sem a supervisão técnica do profissional farmacêutico pode causar danos irreparáveis à saúde, levando até a morte. Mesmo os que são isentos de prescrição médica precisam de orientação adequada”, conclui Barbosa.

Problema grave
A estudante universitária Luciene Mendes teve sérias complicações ao tomar medicação por conta própria e não consultar um médico. “O problema apareceu na minha adolescência. Bastava eu comer alguma comida mais gordurosa ou com excesso de açúcar que meu fígado atacava. Fazia uma consulta rápida na internet pelos sintomas e tratava de comprar o remédio. A dor aliviava em algumas horas e eu já estava ótima no dia seguinte”.

Ela diz que a situação começou a ficar frequente e a medicação resolvia momentaneamente. “Na correria do dia a dia fui adiando a consulta com o médico, mas em uma das crises não teve jeito. Os exames mostraram que o problema era, na verdade, na minha vesícula. Precisei fazer uma cirurgia para retirada do órgão. Hoje em dia, não tenho mais dores e tento manter uma alimentação mais balanceada”, finaliza.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.