Home > Colunas > A importância do futebol regional

A importância do futebol regional

Política e futebol, dois assuntos que nunca saem de moda. Em qualquer lugar, a qualquer hora, com sol, chuva ou frio, tem sempre alguém falando, bem ou mal dos políticos e dos futebolistas. Como o espaço aqui não é um terreno fértil para cultivar assuntos políticos, mesmo porque o jornal tem gente muito mais gabaritada na matéria, vamos falar de futebol. O tema é bem mais ameno, ainda que de vez em quando o papo esquente, engrosse e entorne. Mas vamos lá.

Estamos no início de temporada. O calendário como sempre está recheado de atividades regionais, nacionais e internacionais. Este ano vamos ter uma competição famosa, a Copa América, oportunidade especial para matar saudades da nossa seleção, torcendo para que a gloriosa amarelinha possa se redimir dos últimos fracassos.

A maratona começa com o Campeonato Mineiro. Uma competição antiga, tradicional e polêmica. A turma da velha guarda defende este evento com unhas e dentes. Falam da importância da manutenção da rivalidade interna, da lembrança dos grandes craques do passado e dos belos e românticos embates das décadas de 30, 40, 50, 60,70, um pouco mais, um pouco menos.

A nova geração torce o nariz. Não dão a devida importância ao regional. Pregam sua extinção ou uma mudança radical no seu formato. Natural que seja assim, a moçada vive na era dos avanços tecnológicos, da globalização, acreditando que só existe futebol nas maiores cidades do mundo, nas competições envolvendo clubes valiosos, midiáticos, com seus elencos milionários.

A maioria não sabe que a realidade do futebol é bem diferente. Clubes grandes e ricos são poucos. Jogadores milionários menos ainda. Dos 20 times da série A, nem a metade tem orçamento forte e seguro. Poucos têm a oportunidade de disputar uma Libertadores. Na verdade quem movimenta o futebol no país inteiro, em sua grande maioria, são os times médios ou pequenos que disputam os campeonatos regionais, as fases iniciais da Copa do Brasil e as séries B, C, D do nacional.

Estes clubes sobrevivem com orçamentos minguados e o esforço heroico de seus dirigentes, apoiadores e torcedores.

Entretanto empregam centenas de profissionais entre jogadores, preparadores, pessoal da área médica, administrativa, etc. Oferecem boa contribuição para movimentação da economia dos municípios com despesas de hotéis, alimentação, transporte das delegações e até mesmo de torcedores.

Existe ainda uma mobilização indireta e importante. Várias empresas de comunicação do interior tem sua fonte de renda baseada nas coberturas dos times locais, garantindo emprego e renda para centenas de profissionais. Isso sem falar nos fornecedores de vários produtos e serviços.
Cabe ainda aos times do interior a missão de abrir suas portas para novos atletas e treinadores, revelando talentos para os times maiores, não na quantidade e qualidade ideal, mas não deixa de ser um celeiro importante.

Portanto, analisando com o devido cuidado, colocando a paixão de lado, deixando de ser torcedor de telinha, só acompanhando as belas decisões nacionais ou internacionais, dá para sentir na pele a importância dos campeonatos regionais.

Evidente que o formato pode e deve ser melhorado. Precisa dar espaço para mais times ser bem regionalizado, ampliar o calendário, buscar novos patrocinadores e apoiadores e até mesmo deixar os times grandes, envolvidos em outras disputas, participando somente da etapa final, ou quem sabe, jogando com atletas mais novos. As opções são muitas. Merece estudo mais aprofundado pelos especialistas. O que não pode é ficar desmerecendo um campeonato regional pelo simples fato de ser do contra. Os times do interior merecem respeito e apoio. Precisam ser ajudados a encontrar um meio de sobrevivência digno. Uma formula para que tenham no mínimo um calendário anual bem organizado.
Ao mesmo tempo é preciso preservar os times grandes, que investem altas cifras e precisam dar retorno para seus patrocinadores, apoiadores e torcedores.

A solução é um milagre difícil e complicado. Mas quem sabe com fé, boa vontade, inteligência e competência é possível transformar esta abobora numa bela carruagem.

*Presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) amce@amce.org.br