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Febre de youtubers mirins gera debate sobre limite da exposição

As crianças estão cada vez mais em contato com a tecnologia e parecem nascer sabendo manusear computadores, celulares e gravar vídeos. Nesse cenário, a nova geração não tem se contentado em ser apenas espectador, mas também querem produzir seus próprios conteúdos e compartilhar na internet. Os chamados “youtubers mirins”, fazem grande sucesso com seus canais sobre os mais diversos assuntos como viagens, culinária, livros, joguinhos, brinquedos e novelas infantis. Alguns possuem milhares de visualizações e seguidores e até faturam com os vídeos publicados.

E essa explosão dos “youtubers mirins”, apesar de não ser uma novidade entre o público infantil, desperta a atenção de especialistas, afinal, o mundo virtual tem seus riscos. Sobre este assunto, o Edição do Brasil conversou com a psicopedagoga Elisabeth Monteiro.

Como podemos analisar o fenômeno dos youtubers mirins?
É aquela necessidade de buscar ser uma celebridade que está acontecendo cada vez mais cedo. E com a tecnologia disponível, as crianças de hoje também têm desenvolvido habilidades diferentes das de antigamente. Existem aquelas comunicativas, desenvoltas e inteligentes, que demonstram interesse específico pela comunicação desde pequenos, mas são poucos os casos. São mais ou menos uns 500 “youtubers mirins” no Brasil, mas só cerca de um terço tem realmente o dom da comunicação.

Normalmente, a maioria tem uma grande influência dos pais que projetam seu desejo de vida não realizado em seus filhos. Há casos em que os responsáveis têm medo de frustrarem os pequenos e permitem que eles criem seus canais.

O que os pais ou responsáveis devem ficar de olho? Como eles devem supervisionar?
A atividade das crianças na internet deve ser sempre monitorada. É um mundo muito perigoso, ainda mais com essa exposição toda. Elas não têm maturidade para lidar com críticas e cyberbullying.

Eles devem supervisionar o tema do vídeo, fazer pesquisa e estar atualizados o tempo todo. Precisam monitorar os comentários recebidos e orientar o filho quanto a responder ou não essas mensagens, pois existem os haters que ficam provocando propositalmente. Hoje em dia, os youtubers adultos sofrem com esse problema e chegam a ficar em depressão, imagina como os pequenos não devem se sentir.

Qual seria o limite de utilização?
A criança tem que estar em contato com a natureza, animais, brincar com amigos, ter contato físico e não virtual. Também não pode de forma alguma deixar de fazer outras tarefas, nem afetar o rendimento escolar. Para aqueles meninos e meninas que já tem o dom, se dedicar a esta atividade de uma a duas horas por dia, desde a pesquisa, gravação, postagem e respostas aos comentários é suficiente. Os pais devem estar à disposição para fazer toda a supervisão e auxiliar. Para as demais, o conteúdo deve ser compartilhado apenas em seu circulo de amizades e na família.

Como lidar com as frustrações, críticas e comentários negativos?
Críticas e comentários negativos é o que mais vemos na internet hoje em dia. O melhor modo de lidar com isso é não se expondo. No entanto, mesmo que a criança não responda as críticas, o que é o recomendável, elas leem e entendem como uma desaprovação ou uma rejeição e até mesmo uma incapacidade. As frustrações serão inevitáveis. Se os pais não querem que o filho corra o risco é melhor não estar no YouTube.

A fama, elogios, milhares de comentários e visualizações podem ser problema?
O limite entre o que é comum e o patológico é muito tênue. Com o ego no alto, a criança pode correr o risco de desenvolver um transtorno de personalidade narcisista. O grande problema é que o sucesso tem seu tempo de duração. Em alguns casos, a fama pode acabar e levar a pessoa a desenvolver uma depressão.

Como a criança deve lidar com dinheiro?
É uma questão da educação financeira. Separar uma quantia que será dedicada à família e uma porcentagem que será usada para investimento. É preciso ter uma planilha dos gastos, incluindo lazer e necessidades básicas. A criança precisa aprender a poupar e pode ser uma oportunidade de ela aprender a lidar com o dinheiro. Mas existe uma questão importante que: O trabalho infantil é proibido, como esse “youtubers mirins” podem receber para fazer vídeos? Tudo é relativamente novo e precisa passar por uma discussão.

A exposição à internet pode influenciar no consumismo?
Antigamente as crianças criavam seus brinquedos e suas brincadeiras. Com essa influência da mídia, ela perde seu papel de criador e adquire o papel doentio de consumidor. Hoje em dia, meninos e meninas só usam marcas famosas, brinquedos e eletrônicos de última geração. Esses padrões de consumo são estimulados desde a infância e eu não vejo nada de saudável nisso.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.