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Visitas a recém-nascidos devem ser curtas e seguirem normas de higiene

Pais pela primeira vez, a apresentadora Sabrina Sato e seu marido Duda Nagle compartilham vários momentos da filha Zoe desde seu nascimento. Num desses cliques postados nas redes sociais, seguidores notaram que o casal criou uma lista com 10 recomendações para quem fosse visitar a menina na maternidade. As exigências iam de colocar protetores de sapato a não beijar a bebê e nem sua mãozinha. Na internet, muitos fãs criticaram o casal por acharem que havia uma preocupação exagerada. Mas, segundo a especialista em pediatria e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Maria Albertina Rêgo, nos primeiros dias de vida, esses cuidados são essenciais e recomendados pelos próprios pediatras.

“É preciso entender que o recém-nascido tem um risco muito maior do que crianças mais velhas e, principalmente, adultos de pegar alguma doença”, explica Maria. Para evitar o adoecimento dos pequenos, todo cuidado é pouco. “As pessoas falam no rosto da criança e nós lançamos perdigotos que alcançam até um metro de distância. Enquanto você está falando sobre com quem ela parece ou não, está jogando saliva. O que é um risco muito grande porque essa criança está sendo colonizada pelas bactérias maternas e paternas”, completa.

Segundo a pediatra, os principais cuidados para visitar um recém-nascido devem começar antes mesmo de chegar na casa. “Quem vem de fora, às vezes, vem com roupas de um dia inteiro de trabalho. O ideal é que vá de banho tomado e com roupas limpas. Outra dificuldade é a higiene das mãos. A primeira coisa a ser feita, por todos que chegam, é lavá-las. Mesmo que a pessoa não a pegue durante a visita, ela pode colocar a mão, o que pode dar início a uma colonização bacteriana”, alerta. Além disso, pessoas com qualquer doença, seja resfriado, diarreia, furúnculos ou lesões na pele (exceto crônicas), não devem visitar recém-nascidos.

Para a especialista, na dúvida do que fazer ou não, pergunte e respeite a vontade dos pais, já que eles foram orientados pelo pediatra. “Tem casal que gosta muito de receber visita. Tudo depende da comunicação. Mas, no geral, as mães gostam de visitas rápidas, de pessoas que a apoiam e que estão envolvidas naquela situação nova. Fora essas pessoas, seria melhor aguardar um tempo até visitá-la”, orienta.
A pediatra reforça que a medida que a criança cresce, recebe o leite materno e as vacinas, vai adquirindo progressivamente a capacidade de interagir socialmente. “O bebê aparenta essas capacidades em torno de 3 meses. Mas isso não é inflexível. Casa de avós e pequenos passeios ao ar livre são possíveis antes, claro”, esclarece.

O que dizem as mães
Na experiência da auxiliar contábil Eleuza dos Santos, mãe de um menino que nasceu prematuro e que não pôde receber visitas até o seu terceiro mês, a maior dificuldade foi a falta de bom senso. “Meu bebê era prematuro e tinha parentes que queriam vir todos os dias e, mesmo falando que a pediatra restringiu visitas, eles não percebiam que estava falando deles. Queriam pegar ele dormindo no carrinho ou vinham muito tarde da noite, até 21h”, conta.

O jeito foi organizar uma agenda para o bebê. “Fui comunicando que as visitas estavam liberadas nos grupos de Whatsapp por semana para evitar que o bebê ficasse muito cansado. Sempre de adultos, porque as crianças têm muitas bactérias e não foram liberadas a princípio”.

Mãe de primeira viagem, a enfermeira Magda Chaves e sua filha receberam visitas ainda na maternidade. “Não só pessoas íntimas, mas colegas de trabalho e amigos em geral. A maternidade ficou cheia, o que foi um pouco cansativo”, lembra.
Para ela, o ideal é que as visitas liguem antes para avisar e não tragam odores fortes. “Deve ser rápido e com a higiene reforçada. Não usar perfume forte e quem é fumante não deve fumar logo antes de chegar na casa. Não pedir para mãe acordar o bebê também, pois custamos a fazê-lo dormir”.

Receber um parente doente foi uma das situações que ela vivenciou. “Não ficar beijando o bebê, de jeito nenhum. Nos primeiros dias de vida, recebemos um parente gripado. O pediatra tinha falado que, de forma alguma, isso deveria acontecer porque ela poderia pegar a gripe e até bronquiolite. E o que aconteceu? Ela adoeceu. Sofri muito porque ela ficou bem ruinzinha”, conta. Não tirar fotos se a mãe não permitir e segurar os palpites também são dicas que a enfermeira dá. “A mãe está insegura, são tantas coisas novas. Fica muito desconfortável”, diz.