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Quatro a cada cinco empresários não irão contratar neste Natal

Crédito: Camila Domingues/ Palácio Piratini

Ao contrário do que se pensava, o Natal não será feliz para todos. De acordo com a pesquisa Expectativas de Vendas e de Contratações para o Natal 2018, feita pelo Sebrae Minas, na qual ouvi-se mais de 5,8 mil empreendedores, 80% dos pequenos empresários do país não pretendem fazer nenhuma contratação temporária. Ou seja, quatro a cada cinco gestores não irão mexer no quadro de funcionários.

Em relação aos demais, 9% tem intenção de contratar de 2 a 3 funcionários, 7% irão abrir apenas uma vaga e 1,5% disseram que vão contratar de 4 a 6 funcionários. O setor de serviços será o que menos vai contratar (82%), seguido pela indústria (80%), e o comércio (79%).

Luander Falcão, analista do Sebrae Minas, diz que a cautela por parte dos empresários se deve, principalmente, por uma expectativa moderada em relação às vendas. De acordo com o levantamento, 38% dos entrevistados disseram que as vendas de Natal de 2018 serão iguais as de 2017. Já 30% acreditam que o período será melhor se comparado ao ano passado.

“Na percepção da maioria dos empresários, este ano será pior ou igual ao que passou. Por isso, eles estão optando por não fazerem investimentos, afinal querem faturar mais em 2018. Além disso, para se contratar uma pessoa, mesmo que temporariamente, há o custo da admissão, treinamento e demissão”.

O analista afirma ainda que estamos em uma trajetória ascendente para sair da crise financeira, mas ainda vivemos um período recessivo. “Há muitas famílias e empresas que estão endividadas, o que inibe novos gastos e, consequentemente, investimentos também. Uma vez que estamos em um momento de incertezas, podemos considerar a expectativa de melhora razoável”.

 

Uma das lojas que optou por não contratar temporários neste ano foi a Cia do Terno. O diretor de operações, Bernardo Magalhães, explica que isso não é algo específico deste Natal, mas um processo no qual as lojas estão passando durante os últimos 4 anos. “Durante esse tempo, melhoramos vários quesitos para chegar a isso, como o sistema de distribuição de peças e a automação de vários processos”.

Magalhães acredita que a não contratação de temporários é algo positivo até para os funcionários da loja. “É sempre bom economicamente abrir novas vagas de emprego, mas é essencial mantermos com qualidade as que já temos. Com o processo de modernização que fizemos, vamos permitir aos nossos funcionários ganharem mais no Natal com as comissões das vendas, sem desrespeitar as normas trabalhistas”.

Ademais, o diretor comemora os resultados de 2018. Ele conta que foi um ótimo ano para as lojas, com aumento de 10% nas receitas em relação ao ano passado e o faturamento de R$ 212 milhões.