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Abandono de animais é mais comum em período de férias

Cadelinha virou símbolo da luta pela causa animal depois de ter sido espancada por um segurança do Carrefour

Dezembro e janeiro são os meses mais esperados: é período de férias escolares e, em alguns casos, os pais também conseguem uma folguinha no emprego. O clima quente é bom para ir à praia ou qualquer outro destino. Esses descanso é planejado e o dinheiro é reservado para que todos os membros tenham uma boa estadia, exceto um – e não menos importante -, o animal de estimação que, às vezes, é até abandonado na rua.   

Não há dados sobre o número certo de quantos animais são abandonados durante o período de férias, mas, segundo percepções de protetores, esse índice pode ser até 5% a mais do que em relação ao resto do ano. E é válido ressaltar que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2016, existem mais de 30 milhões de bichos vivendo na rua.

A protetora de animais Val Consolação afirma que essa realidade de abandono não é comum apenas no Brasil, ela acontece também em países desenvolvidos como a França. “Não há pesquisas que comprovam esse aumento, entretanto quem trabalha com resgate nota isso claramente. Tentamos conscientizar as pessoas sobre as demandas de um animal e de que, além do abandono ser cruel, é crime. Acredito que falta mais empenho de todos para combater a prática”.

Val acrescenta que existe um movimento por parte das ONGs e protetores no qual exige-se a assinatura de um contrato para adotar um animal e, caso o adotante não o queira mais, pede-se para devolver e não abandoná-lo. “Todavia, existem algumas pessoas que não fazem adoção, mas sim descarte de cães e gatos. Elas não têm condições de ter aqueles animais, passam para frente e, quando quem pegou não quer mais, não conseguem devolver para a origem e acabam soltando na rua. Isso vira uma bola de neve incontrolável”.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais (CRMV-MG), Bruno Rocha, afirma que um animal abandonado está sujeito a pegar inúmeras doenças, como raiva, leptospirose, leishmaniose, entre outras, além de estar exposto também a agressões. “Em alguns casos, eles se tornam bravos e podem até morder as pessoas. Ademais, eles podem ser agentes transmissores de algumas patologias”.

Rocha reitera que é necessário antes de adquirir um animal, seja por meio de adoção ou compra, pensar se há condições financeiras, espaço e tempo para cuidar dele. “Temos que conscientizar as pessoas da posse responsável. Se alguém quer ter um bicho de estimação, precisamos falar sobre as responsabilidades que terá que se assumir com aquele ser”, finaliza.

É crime!

O abandono de animais é crime! De acordo com a advogada da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Aline Cardoso, a prática é legalmente classificada como maus-tratos e está descrita na lei número 22.231/2016. “A pena pode variar de três meses a um ano de prisão, além de multa. Mas, apesar de todo esse amparo da lei, é muito difícil fazer com que uma pessoa que tenha cometido o crime pague por ele. Pode-se até presenciar um abandono, porém para afirmar quem o fez é necessário provas, o que dificulta o processo”.

Um caso que mobilizou o Brasil, na semana passada, foi de uma cadelinha espancada por um segurança do Carrefour. Segundo relatos, ela teria sido abandonada no local e dias depois foi agredida com uma barra de ferro. Em nota, o supermercado disse que: “O Carrefour reconhece que um grave problema ocorreu em sua loja de Osasco/SP. A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade. Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados para que todos os fatos sejam esclarecidos. Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações. Qualquer que seja a conclusão do inquérito, estamos inteiramente comprometidos na reparação desse dano”.

Para denunciar, Aline recomenda-se que procure a polícia, por meio do telefone 157 e, dependendo do caso e da forma como aconteceu o abandono, pode-se procurar também o Ministério Público para intervir.