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Cerca de 882 mil de pessoas vivem com o HIV no Brasil

Crédito: Reprodução/Internet

Cazuza, Caio Fernando Abreu, Renato Russo, Herbert José de Sousa (Betinho), Freddie Mercury e Michel Foucault. Sabe o que esses nomes têm em comum, além de muito talento e serem reconhecidos no que faziam? Todos morreram em decorrência de complicações da Aids. O que nos anos 80 e 90 era conhecida como uma doença que matava, mudou de imagem atualmente.

Segundo dados do UnAids, em 2017, haviam aproximadamente, 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com o HIV, sendo que 21,7 milhões tiveram acesso à terapia antirretroviral e 1,8 milhão eram de novas infecções. Mas o dado que mais assusta é que cerca de 9,4 milhões de pessoas não sabem que vivem com o vírus e 940 mil morreram por causas relacionadas à Aids.

No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que existem 882.810 pessoas que possuem o HIV, ou seja, 0,5% da população, sendo que a maior taxa de detecção é no sexo masculino – 25,8% a cada 100 mil habitantes.

O infectologista do hospital Madre Teresa, Estevão Urbano, explica que há diferença entre HIV e Aids. “O HIV é o vírus com o qual a pessoa se contamina e a Aids é a doença, sendo que é possível ter o vírus e ele ficar vários anos incubado sem se manifestar, mas, na maioria dos casos, em algum momento ele dará sinais”.

Outro ponto destacado pelo médico é de que desde os anos 80 e 90 o diagnóstico e tratamento da doença mudou bastante. “Agora conseguimos identificar mesmo quando o vírus está incubado. Além disso, é possível também verificar a quantidade de HIV no organismo para saber se a taxa está alta ou não. Em relação ao tratamento, o Brasil não é pioneiro nas pesquisas, mas é um país que acolhe com certa rapidez as novidades da indústria farmacêutica”.

Apesar dessa mudança no tratamento, Urbano reafirma a necessidade do uso de preservativo para se prevenir da doença. “Há um aumento nos casos de homens jovens e homossexuais, o que mostra que há nessa faixa um certo desleixo em relação à prevenção. Ademais, revela também que essas pessoas não atingiram a maturidade suficiente para saber dos reais riscos de se transar sem camisinha. É importante sempre ressaltar que o único método que previne, não só a Aids, mas também todas as doenças sexualmente transmissíveis, é a camisinha”.

2019 de incertezas

A assistente social e integrante do Movimento das Cidadãs Posithivas, Heliane Moura, conta que o diagnóstico positivo aconteceu há 22 anos, quando tinha 26 anos. Ela foi infectada por um ex-namorado. “Na época, vários amigos em comum estavam falando que ele tinha Aids, então resolvi fazer um exame. O trauma começou quando o médico, no pedido de exame, colocou que o motivo era ‘promiscuidade’”.

Ela relata também que o início do tratamento foi difícil, pois as drogas eram pesadas e afetavam tanto o corpo externamente quanto a saúde interna. “Além das incertezas de um tratamento de uma doença que no imaginário popular é sempre relacionada à morte, existe também um peso social muito grande em cima das mulheres para se ter um corpo ‘bonito’. Algumas conhecidas sofreram muito com isso, mas os tratamentos de hoje em dia tem poucos ou quase nenhum efeito colateral”.

Heliane trabalha com a entrega de diagnósticos de Aids e reitera que, atualmente, a maior parte dos infectados são jovens, homens e homossexuais. “Há uma preocupação grande com o que pode acontecer no ano que vem. Já existem cortes nos antirretrovirais e a tendência é que isso aumente. Ademais, o ‘Escola Sem Partido’ irá proibir tocar em assuntos relacionados à sexualidade, também pode contribuir para o aumento dos casos, pois não são todos os pais que falam sobre o tema com os filhos e com os professores proibidos de falar, esses jovens não terão acesso às informações de prevenção. Aliás, nem sei se ano que vem teremos o Dezembro Vermelho”.

Para finalizar, a assistente social deixa um recado para os jovens: “Hoje é possível viver com a Aids, mas é muito melhor sem ela”.