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Tabu atrapalha diagnóstico precoce do câncer de próstata

A cada 38 minutos, um homem morre vítima do câncer de próstata, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença é a segunda maior causa de óbito entre a população masculina. No entanto, apesar dos números alarmantes, a patologia possui 90% de chance de cura quando é descoberta em estágio inicial. O grande problema é que o exame para diagnosticar o câncer é cercado de preconceitos e evitado por muitos homens, o que pode trazer graves consequências.

Um estudo da Bayer, feito em parceria com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) com homens acima dos 45 anos, descobriu que 49% nunca realizaram o exame de toque prostático. Desse total, 26% disseram que não o fizeram porque o médico nunca pediu, 24% não gostam ou acham pouco “másculo”, 22% não têm sintomas ou idade para realizar, 15% consideram o exame de sangue suficiente e 13% não acreditam que o exame seja necessário.

Para esclarecer sobre o assunto e entender as razões do público masculino não consultar um médico, além do tabu gerado em torno do exame, o Edição do Brasil conversou com Arnaldo Fazoli, médico urologista e membro do Conselho Científico do Instituto Oncoguia.

Por que muitos homens ainda têm preconceito com o exame?
Eu chamaria de ignorância, no sentido de pouco conhecimento. Eles não têm medo de fazer o exame e nem de descobrir a doença, mas receio das brincadeiras que vão ter que ouvir ao comentar com amigos e parentes que foram ao médico e tiveram que fazer o exame de toque. Por conta dessas piadas que algumas pessoas fazem, o homem deixa de receber o diagnóstico precoce do câncer de próstata e acaba prejudicando não somente a própria vida, mas também a dos familiares e das pessoas que estão em volta. Esse preconceito tem diminuído nos últimos anos, graças as campanhas de conscientização como o Novembro Azul. Eles têm percebido cada vez mais que o exame é necessário, rápido e mais simples e tranquilo do que imaginam.

Como é feito o exame de próstata? Dura quanto tempo?
A próstata é um órgão muito interno e o único acesso que temos é pelo reto. O objetivo do exame de toque prostático é sentir o tamanho da próstata, a consistência e se tem algum nódulo, caroço ou qualquer tipo de alteração. É importante a realização deste exame, mesmo que o Antígeno Prostático Específico (PSA) esteja normal.
Ele é feito no próprio consultório com anestesia local em gel e dura cerca de 10 segundos. A posição em que o paciente deve ficar durante a realização do exame depende de cada urologista.

A partir de qual idade é recomendado fazer exames?
A orientação é que, a partir dos 50 anos, a população em geral faça o exame preventivo. Para quem teve algum caso da doença na família como, por exemplo, pai, tio, irmão e avô, o paciente tem o risco aumentado é a orientação e que procure o médico urologista para acompanhamento a partir dos 45 anos. A recomendação é pelo menos uma vez ao ano, desde que o resultado do exame esteja normal.

Além do câncer de próstata, que outras doenças são identificadas com o toque prostático?
O órgão pode desenvolver três doenças ao longo da vida. Além do câncer, o exame pode identificar o aumento benigno e inflamações na próstata, também conhecida como prostatite.

Existe algum indício que o homem deve ficar em alerta?
O câncer de próstata é uma doença traiçoeira e não apresenta nenhum tipo de sintoma na fase inicial. Quando aparecem sinais, significa que a doença está em um estágio mais avançado. E, normalmente, pode acontecer do paciente ter primeiro o sintoma da metástase do que do próprio câncer. Muitos homens tendem a pensar que como não estão sentindo nada, não precisam consultar o médico. É justamente esse o grande problema, pois se forem esperar sentir alguma coisa, poderá ser tarde demais.

É mais fácil o tratamento se descoberto em fase inicial? Pode ocorrer em pacientes mais jovens?
Quando o diagnóstico do câncer de próstata é feito na fase inicial, as chances de cura chegam a 90%. Mas se já estiver em um estágio bem avançado, a porcentagem cai para 10%.

É muito raro a doença acometer pacientes mais jovens, mas pode acontecer. A estimativa é de menos de 0,5% da população masculina abaixo dos 40 anos.

Como funciona esse tratamento?
Isso depende do estágio da doença. Quando está no início e localizado somente na próstata, o mais adequado é fazer a cirurgia de retirada do órgão ou a radioterapia. A quimioterapia só é utilizada nos casos em que a doença está em estágio bem avançado.

Causa algum problema no aparelho reprodutor?
A próstata fica próxima de estruturas muito nobres, como entre os nervos responsáveis pela função sexual. Na retirada ou no tratamento, eles podem ser lesados e levar a impotência sexual. Por essa razão, tem se investido em novas tecnologias. Hoje em dia existe um robô que faz esse procedimento com mais precisão.

Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.