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Pouco conhecida, Síndrome do Piriforme acomete cerca de 150 mil pessoas ao ano

Por causa da localidade, patologia pode ser confundida com hérnia de disco - Crédito: Reprodução/Internet

A Síndrome do Piriforme é dada pela compressão do nervo ciático que passa abaixo ou no meio do músculo piriforme, localizado nas nádegas. Estima-se que ela atinja cerca de 150 mil pessoas por ano no país. Pouco conhecida, o quadro pode ser confundido com o de hérnia de disco.

Segundo o neurocirurgião Renato Andrade Chaves, o diagnóstico é feito por exclusão. “Uma das causas mais frequentes de dor lombar é a ciática, fora as patologias, como hérnia de disco, que são comuns. Os sintomas são semelhantes e é necessário avaliar bem para não confundir”.

O especialista explica que a causa da síndrome é discutível. “Pode ser uma variação anatômica, já que o nervo passa por debaixo do músculo piriforme ou, em 30% dos casos, no meio. Quando isso acontece, se faz mais esforço e quando a fibra do músculo é contraída, acaba comprimindo o nervo”.

Outro motivo que pode estar relacionado é em relação a região pélvica. “O músculo piriforme entra na estabilização da pélvis, então na mulher o aumento do útero e no homem algo relacionado a próstata pode ser um fator. Algum problema no intestino também pode modificar a dinâmica e fazer com que a inflamação pegue o nervo”.

Mas, o que mais leva as pessoas a serem acometidas pela síndrome é o fator traumático. “Em homem, por exemplo, é bem frequente, pois temos o hábito de sentar em cima da carteira, no bolso da calça, e o músculo piriforme fica exatamente nessa região. Acaba que a posição fica favorável ao trauma. Em todo caso, com ou sem carteira, o fato de estar sentado por muito tempo pode desencadear o problema”.

Foi exatamente o que aconteceu com o consultor comercial Carlos Henrique Ornelas. Ele recorda que sentiu dormência na perna esquerda e fincadas nas nádegas. “Fui ao fisioterapeuta e ele fez o diagnóstico da síndrome. No mesmo dia fiz alguns exercícios e senti um alívio enorme”.

Ele revela não sentir mais dor, pois a dormência faz com que também não sinta nada. “Ao fazer as minhas necessidades fisiológicas, por exemplo, eu percebo a sensação, mas não a passagem”.

Carlos reconhece alguns fatores no seu dia a dia que podem ter gerado o mal. “Fiz uma viagem para a Argentina, recentemente, e andei muito durante uma semana inteira. Além disso, no meu trabalho eu estava usando uma cadeira de plástico, superdesconfortável e desfavorável a uma boa postura, principalmente porque eu fico sentado quase o dia todo”.

Diagnóstico e tratamento

O neurocirurgião explica que a síndrome traz, de fato, bastante dormência na perna. E que vem daí a diferença no diagnóstico. “É uma dor lombar semelhante a uma queimação que, geralmente, fica mais intensa da metade do glúteo até o joelho. Já a hérnia é uma dor com erradiação, ela vai até o pé e é semelhante a um choque”.

Ele explica que existem alguns tratamentos. “A fisioterapia é o mais importante, pois tirar a dor e, em seguida, é possível descobrir a causa e tratá-la. A acupuntura também pode ser uma solução. Há ainda o botox, que é posto no músculo a fim de sanar a compressão no ciático. Por fim, a injeção de corticoide pode ser uma saída. Embeber o nervo com a substância melhora bastante os sintomas da crise”.

Chaves diz que não tratar o problema pode trazer consequências. “Nosso corpo passa a agir para neutralizar a dor que é constante. A pessoa pode mudar a postura para amenizar a sensação e isso pode acarretar outros problemas”, conclui.