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Dos quartéis para as academias: a técnica de autodefesa do krav maga

Você se sente inseguro ao andar na rua? Já foi assaltado e não soube o que fazer? O krav maga pode ser a solução. De origem israelita, a luta surgiu como um método de autodefesa criado por Imi Lichtenfeld, o então instrutor chefe de preparo físico das Forças de Defesa de Israel. Porém a técnica ficou restrita apenas às forças armadas até 1964, ano em que começou a ser difundida no mundo.

No Brasil, ela chegou em 1990 com Mestre Kobi Lichtenstein, maior nome da modalidade na América Latina, e 1996 começou a fazer parte das academias de Minas Gerais. Atualmente há 37 locais que oferecem os ensinamentos da arte no estado, sendo que 25 delas estão região metropolitana de Belo Horizonte.

O instrutor e faixa marrom Daniel Freire explica que não há competições ou medalhas na modalidade, pois o que é priorizado na luta é a defesa da vida. “Tudo o que a gente treina e passa para os alunos é sempre focado na defesa pessoal. O krav maga dá a resposta para qualquer tipo de agressão, seja ela armada ou não”.

Além disso, não há contraindicações para praticar a luta. “Em Belo Horizonte há aulas para crianças de 4 anos e também alunos de 70. Na verdade, vai da capacidade de cada um. Existem pessoas que têm limitações e nós tentamos adaptar os movimentos da melhor maneira possível”.

Apesar de ser uma técnica de autodefesa, Freire reitera que não incentiva os alunos a reagirem a qualquer tipo de situação adversa. “O que a gente faz é dar a condição para pessoa, caso ela precise reagir ou se for fazer isso, dar a resposta da forma certa. Não falamos que é preciso enfrentar a qualquer custo”.

Outro ponto destacado pelo instrutor é a alta procura das mulheres pela luta. “Acredito que atualmente 30% dos alunos de Belo Horizonte são do sexo feminino. Ademais, quem procura para treinar são pessoas comuns, que querem aprender a se defender e fazer uma atividade física. Na verdade, a maioria que começa a fazer o krav maga é como modalidade esportiva, mas descobrem que a prática te dá muito mais do que isso”.

Uma das mulheres que começou a praticar a luta é a publicitária Silvia Ferber, 26 anos. Ela conta que conheceu o krav maga na adolescência, quando resolveu pesquisar sobre o assunto, pois sempre se interessou por artes marciais e defesa pessoal. Entretanto, iniciou os treinamentos há 6 meses. “Me interessei pelo krav maga, porque sua técnica é diferente das artes marciais que eu já havia feito, como o jiu-jitsu e savate. Ela tem como foco a defesa pessoal, que acho essencial nos dias de hoje, principalmente nós mulheres que estamos mais suscetíveis a violência diante de uma sociedade machista e misógina”.

Ela finaliza afirmando que está mais autoconfiante depois que começou a praticar a modalidade. “Ela não me torna invencível contra agressores, seria ilusão pensar isso. Mas o krav maga me dá técnica para lidar com possíveis tentativas de agressão ou assédio”.