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Câncer de mama: quando a luta não é apenas pela vida

Crédito: iStockphoto/Getty Images

“Foi a primeira vez que realmente achei que ia morrer”, concluiu a vendedora Camilla Nunes, 27, ao saber do câncer de mama, há aproximadamente 11 meses. Como em quase todos os casos da doença, para ela, esse processo tem sido longo e difícil.

Ela relembra que os primeiros sinais do nódulo foram percebidos pela namorada. “Ela passou a mão no meu seio e sentiu um carocinho do tamanho de uma azeitona. No dia seguinte, procurei uma ginecologista”.

A partir deste momento, a vida de Camila virou de cabeça para baixo. Por não ter plano de saúde, a consulta com a especialista demorou um mês e, com isso, o nódulo aumentava. “A ginecologista me passou uma ultrassonografia. Como a fila de espera do SUS estava longa, optei por fazer particular.  O resultado foi de linfonodo alterado. Retornei à médica e ela disse que não deveria me preocupar, pois era apenas um inchado devido ao período menstrual, entretanto, me encaminhou ao mastologista”.

A médica mastologista pediu uma nova ultrassonografia e uma biópsia. “O resultado confirmou que eu tinha câncer de mama. Comecei a chorar na frente da doutora, mas ela disse para eu tentar me acalmar, pois o câncer estava no início e teria muitas chances de cura”.

Após o diagnóstico, Camila teve que lidar com outro drama: provar que não teria como arcar com as despesas do tratamento. “Por eu ter feito todos exames em clínica particular, tive que passar na assistente social, explicar o porquê havia tomado essa atitude e eles ainda tiveram que investigar a veracidade das informações”.

A espera durou três semanas e, neste período, ela começou a sentir fortes dores no corpo. “Quando ia começar o tratamento, as dores pioraram e fui parar no hospital: a doença havia sofrido metástase (quando o câncer se espalha além do local onde começou) e atingiu também os ossos.

Camila continua em tratamento e, há duas semanas, teve que tirar os ovários para evitar nova metástase, pois segundo os médicos, esse processo estava acontecendo porque as células cancerígenas estavam se alimentando do hormônio feminino. A retirada do órgão foi mais um momento de tristeza, pois sua companheira queria ter filhos. “Procurei uma psicóloga que me disse que eu poderia encarar tudo de duas formas: ou aceitava a situação ou continuava negando. Fiquei brava com o que me falou, mas depois cheguei à conclusão de que se a sua cabeça não estiver boa, você morre!”.

Lado psicológico

Por ser uma doença que afeta diretamente a estética da mulher, a psicóloga Evelyni Machado, que trabalha com pacientes com câncer há 8 anos, afirma que o mama tem um significado simbólico diferente. “Qualquer câncer é invasivo e com ele vem o medo da morte, mas o de mama tem um agravante, pois o seio está ligado à feminilidade e a amamentação que é considerado um ato de amor e, quando há mutilação, mexe com o psicológico”.

Evelyni conta que o trabalho feito com as pacientes visa despertar os recursos de mobilização de todas, e a psicoterapia vem para mostrar os caminhos. “Apresentamos outras formas da feminilidade e queremos a cura total, não apenas da doença em si, mas também da cabeça”.

Dados gerais

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o câncer de mama, depois do de pele não melanoma, é o mais comum no Brasil e mundo, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Para este ano, estima-se que haverá 59.700 novos casos.

A oncologista Nicole Machado, do Hospital Mater Dei, explica que o câncer de mama é raro antes dos 35 anos e, acima desta idade, sua incidência cresce progressivamente, especialmente, após os 50 anos. “O mais importante é a mulher se conhecer. Ela tem que se tocar sempre para sentir o que está diferente. Além disso, é essencial destacar que, quando diagnosticado precocemente, a chance de cura é grande”, finaliza.