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Em BH, Cuquinha expõe seus encontros com imigrantes pelas capitais do mundo

Obras têm migrantes retratados em superfícies de cobre para questionar o poder monetário - Crédito: Hugo Sá

O ambulante jamaicano que vende bandeiras de países em Londres, a boliviana que oferece meias infantis nas ruas de São Paulo e a senegalesa que, em Belo Horizonte, cozinha para eventos. O que eles têm em comum? Os três são imigrantes e tiveram seus caminhos cruzados com o do artista plástico Lourival Cuquinha que, agora, os retrata em obras na exposição Transição de Fase.

A mostra é fruto da experiência do próprio Cuquinha como imigrante. Morando em Londres com a família, de 2007 a 2012, ele trabalhou como táxi-bike. “A escolha pela condição do imigrante que trabalha na cidade e que a entende de outra forma, onde uma outra topologia vai sendo inventada, foi baseada em uma condição que estive”, explica o artista pernambucano.

Além da temática de imigração, ele focou nos ambulantes dos grandes centros urbanos pelo mundo. A eles, o artista propunha pagar o dobro do valor das peças que cada um vendia, em troca, uma fotografia da pessoa era feita. Para a exposição, as fotos foram impressas em uma placa de cobre que, segundo revela Cuquinha, valem o mesmo valor pelo qual desembolsou para o ambulante.

A passagem pela capital mineira foi marcada pela interação com os imigrantes. “Na Praça Sete, conheci Mamadou Ndiay, um imigrante senegalês que acabou nos ajudando muito. Um amigo dele é professor em uma vila no Senegal, que vai receber cartões postais que qualquer pessoa que visite a exposição pode mandar com alguma pergunta que queira saber sobre o país, elas serão respondidas pelos alunos e as famílias da vila”, detalha o artista plástico.

O projeto da troca de cartões postais é coordenado por Carolina Santana, também artista visual e educadora do núcleo criativo Malacaxeta, baseado em Belo Horizonte. Nessa atividade, ao longo do período de exibição das obras, o público será convidado a enviar cartões postais para a África, endereçados a familiares de imigrantes, hoje moradores da capital mineira. O envio das correspondências será custeado pela exposição.