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Poder das redes sociais será testado nas eleições deste ano

No final de agosto, uma notícia chamou a atenção dos brasileiros: o Ministério Público eleitoral abriu um inquérito para investigar possíveis irregularidades no pagamento de influenciadores digitais que fizeram propaganda em seus perfis pessoais para alguns candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT). A partir deste fato, surge a dúvida de como as redes sociais podem contribuir, ou não, com a eleição de algum nome.

Para falar sobre esse assunto, o Edição do Brasil conversou com Marcus Abílio. Ele é doutor em Sociologia Política pela Universidade de Coimbra, Portugal, e atualmente, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nesta eleição, as pessoas irão decidir o voto pelas redes sociais?
Neste momento, não conseguimos fazer uma afirmação como essa, o que temos são indícios de que a internet vai ter um papel relevante nessas eleições. Se analisarmos um candidato com pouco tempo eleitoral na televisão e no rádio e que tem um grande número de seguidores, como é o caso de Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL), eles estão bem colocados nas pesquisas. Mas isso é algo que temos que acompanhar, pois não dá para fazer nenhuma afirmação antes do resultado das urnas.

Como os principais candidatos estão se portando nas redes sociais?
Há um uso mais intenso da internet, principalmente das redes sociais. Não há como negar a importância de estar online e utilizar de maneira mais intensa essas ferramentas. Além disso, é necessário ressaltar outro elemento essencial nessas eleições: o uso de robôs (ou bots). A maior parte dos candidatos estão utilizando esse mecanismo para, basicamente, aumentar a visibilidade de alguma temática ou tirar o foco de algum concorrente. Se um nome surge com tema muito forte nas redes, é possível acionar os robôs trocar o foco do que está sendo falado e chamar a atenção para algum assunto que seja melhor para a campanha.

 

Podemos afirmar que essas plataformas têm o mesmo peso que a televisão para divulgação de informações e propostas?
Esse tipo de afirmação só poderá ser feita depois das eleições, porque temos um contraponto interessante que vai servir de análise: candidatos com muito tempo de televisão e pouca penetração nas redes, como Geraldo Alckmin (PSDB); em contrapartida, outros com pouco tempo de televisão e muitos seguidores, como Bolsonaro e Marina. Se porventura houver um candidato com pouco tempo televisão e muita penetração nas redes no segundo turno, poderemos aferir que a internet teve mais peso ou vice versa.

As fake news podem interferir no resultado das eleições?
Sim, é factível. Nós temos tido muita utilização de fake news, perfis falsos que circulam nas redes, que podem impactar um certo grupo de eleitores que estão mais tendenciosos para um candidato ou outro. Essas pessoas não estão preocupados em aferir a veracidade das informações e vão acreditar que aquilo é verdadeiro, mesmo se provar que é falso. Pode ser também que as notícias falsas interfiram na decisão daqueles que ainda não sabem em quem vão votar.

Há alguma estratégia dos partidos ou candidatos para prevenir notícias falsas?
Há um acompanhamento constante das redes e monitoramento do que está sendo dito sobre os candidatos. A partir disso, eles podem acionar tanto a legislação quanto soltar notas que desmintam essas notícias falsas. Mas para se contrapor a isso, é necessário que haja um monitoramento constante por parte dos staffs dos candidatos para evitar que alguma informação falsa seja veiculada e acabe atrapalhando a eleição.

Segundo informação divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 16 a 30 de agosto, os candidatos e partidos políticos gastaram R$ 2 milhões para impulsionar conteúdo eleitoral na internet.