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Brasil: um país de desdentados

Crédito: Reprodução/internet

“Quando tinha 10 anos, bati com a boca na testa do meu irmão e um dos dentes da frente caiu. Ficou o espaço aberto e usei prótese por muitos anos. Aos 30 anos, notei que os dentes estavam ficando bambos, fui arrancando e usando próteses, até que tive que procurar o dentista para fazer implantes”.

Essa é a história da auxiliar administrativa Regina de Moura e de mais de 16 milhões de brasileiros que vivem sem os dentes, sendo que 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos. Esses dados são da pesquisa Edelman Insigths que, além de usar os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ouviu 600 latino-americanos, entre eles 151 brasileiros.

O dentista e especialista em prótese Adriano Oliveira explica que as principais doenças que levam a perda dos dentes são a cárie e a gengivite. “O fator para o aparecimento dessas patologias é a falta de higienização correta. Além disso, consumir produtos com alto teor de açúcar e fumar aumentam a possibilidade de aparecer cáries”.

Regina conta que o profissional que a atendeu disse que o motivo da queda pode ter sido pela perda do dente quando era mais nova, entretanto, ela acredita que o problema é genético. “Meu pai perdeu os dentes da mesma forma: ficavam bambos e caiam, e a minha irmã mais velha também teve o mesmo problema”.

 O estudo ressalta também que 52% dos entrevistados disseram que a perda de dentes deixou a aparência do rosto pior; 43% afirmaram que a situação atrapalha namorar ou paquerar; e 21% disseram que a condição impediu de fazer novos amigos. Sobre autoestima e fala, 38% dos entrevistados manifestaram se sentir mais inseguros para ir a festas e eventos sociais; e 41% relataram mais dificuldade na pronúncia das palavras.

Contudo, para além da questão da aparência, a ausência da carga dentária também causa problemas no sistema digestório. “A digestão começa na boca. É lá que se tem os dentes que irão diminuir o tamanho dos alimentos e a saliva que também ajuda no início desse processo. Na ausência dos dentes, a pessoa não consegue fazer isso e a comida chega praticamente inteira no estômago, o que pode acarretar, em alguns casos, dores, gastrite e dificuldade de absorção de algumas vitaminas”, esclarece Oliveira.

Resolvendo o problema

Para tentar resolver a situação, algumas pessoas optam por usar uma prótese ou implante dentário. De acordo com o estudo, no Brasil, 39 milhões de pessoas usam próteses dentárias, sendo que uma em cada cinco tem entre 25 e 44 anos.

Oliveira explica a diferença entre colocar um implante dentário e prótese: “Se você perdeu todos os dentes, há a possibilidade de colocar um implante. Nesse processo, é possível substituir o dente e a peça é colocada de uma forma que fica como se fosse uma raiz, então consegue-se devolver ao paciente a função de mastigação similar a que ele tinha anteriormente. Já a prótese é colocada na gengiva e, por isso, a eficiência mastigatória fica comprometida. A queda é de mais ou menos 50%”.

A diferença dos valores dos processos é grande: no primeiro, cada dente custa de R$ 1.500 a R$ 2.000, já no segundo, uma dentadura na parte de cima ou embaixo é, aproximadamente, R$ 1.500.

Como evitar

O dentista reitera que, na maioria dos casos, a perda dos dentes pode ser evitada com atitudes simples, como uma boa higienização e visitar um profissional a cada 6 meses. “A perda de dentes não é algo natural e é possível mantê-los a vida toda, desde que faça esse trabalho de prevenção”, finaliza.