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As nuances do tabuleiro político

Por mais que a grande mídia se esforce para desenhar o formato político nacional e regional, o que se vê ate agora, faltando pouco para as eleições no país, é um total desalento popular em relação ao pleito.

Primeiro pelas articulações dos partidos na formação das chapas para presidente e governador. Até o momento ainda se discutem nomes e siglas para comporem as cédulas eleitorais. Segundo, porque ainda permanece a indefinição jurídica da validade da participação do ex-presidente Lula (PT) no processo eleitoral. Talvez mais pelo jogo e pelo tumulto dos movimentos populares, insuflados para defender a sua participação no processo eleitoral, até mesmo em debates televisivos, desconhecendo sua condição de condenado e preso pela justiça brasileira. Tal movimento cresce à medida que a justiça eleitoral não se manifesta de forma clara e definitiva sobre sua condição de ficha limpa ou suja, conforme estabelece a lei.

Na verdade, parece que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está apenas aguardando o registro do nome de Lula na disputa, quando estará concretizado o ato pelo qual o TSE vai decidir e dar sua palavra final sobre o tema. Até agora não há nada sobre o que o judiciário deva opinar, pois se está apenas no campo da suposição e das intenções, sem qualquer fato eleitoral concreto.

Enquanto isso os demais postulantes, com ou sem coligações partidárias, vão compondo suas chapas, procurando fazer valer a defesa de suas ideias junto a eleitorado, com ou sem televisão.

Como já afirmado, as eleições, esse ano e de agora em diante, estarão sendo decididas – ou pelo menos estruturadas – nas mídias sociais, onde o Twitter, o Youtube e o WhatsApp substituirão a TV e talvez de forma mais rápida e barata, atingindo eleitores onde a televisão não chega.

Aliás, é o que está se vendo no movimento partidário com as siglas vindo se alinhar àqueles com os quais possam abocanhar mais tempo na televisão e maior parcela do fundo partidário para financiamento das campanhas. Interesse muito mais fisiológico do que filosófico ou mesmo ideológico.

Com isso, vem ocorrendo as chamadas rasteiras eleitorais, jogando por terra um nome politicamente bem estruturado ou capaz de ser a extensão de uma ideologia mais identificada com um lado, mas que, nesse momento, não interessa ser incensado a ponto de obscurecer determinadas figuras do quadro político nacional.

É possível ver isso na composição dos quadros eleitorais dos estados, onde se queima uma candidata em Pernambuco, em nome de uma pretensa composição partidária nacional, o mesmo ocorrendo em Minas Gerais, o que chega a ser uma aventura suicida, já que os nomes preteridos têm seus apoiadores e obviamente núcleos partidários que podem se sentir expurgados do jogo político.

Forças essas não medidas ainda, mas que podem se tornar verdadeiros tsunamis na reta final da disputa, em outubro.

Até que não se definam as regras do jogo, o tabuleiro vai sendo mexido ao sabor do entendimento momentâneo, com decisões alheias ao campo jurídico eleitoral e atreladas apenas ao interesse partidário. O que, com certeza, não é do interesse da nação.