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O segundo filho chegou, e agora?

Dizem que nossos irmãos são os primeiros amigos que temos. Mas, dependendo da criança, essa amizade não começa tão rápido. Afinal, é muito comum que o primogênito tenha ciúme da chegada do caçula em casa. O sentimento pode acontecer por vários motivos. No entanto, é possível preparar o ambiente para que essa relação comece de forma pacífica.

A coach, psicóloga organizacional e clínica Livia Marques explica que todo os ciúmes vem de uma insegurança criada pelo filho mais velho. “Antes ele era sozinho, não dividia a atenção dos pais, seja ela pouca ou muita, com ninguém”.

Ela acrescenta que o fato do bebê precisar de mais cuidado contribui para o ciúme. “É comum que os adultos procurem o recém-nascido primeiro. Quando chega uma visita, por exemplo, é normal que eles queiram ver aquela criança que é novidade. E isso faz o mais velho achar que não é mais tão querido”.

Livia explica que o ciúme independe da idade. “É uma questão de comportamento e de como cada um vai reagir. Pode acontecer com os bebês, crianças e, até mesmo, com adolescentes”.

A dona de casa Karine Gonçales passou por essa situação com seus filhos. Sua filha mais velha tem 9 anos e o caçula 3. Ela conta que, no começo, não sentiu o incômodo, mas que depois de um tempo, a filha passou a demonstrar. “Ela me ajudava a cuidar dele, porém quando o bebê começou a interagir, ela começou a sentir. Não sabia lidar com o fato de não ser mais o foco de todas as atenções, afinal, foram 6 anos sendo filha única”.

A criança começou a não demonstrar interesse pelos assuntos do irmão. “Não fazia mais questão da companhia dele. Até que, certo dia, ela verbalizou: ‘Preferia muito mais a minha vida quando era filha única’. Essa indiferença era específica e dirigida ao irmão. Apesar de não concordar com o comportamento, eu a entendia, porque não estava sendo fácil digerir tanta novidade”.

A professora de inglês Vanessa Queresma também teve que lidar com o ciúme da sua primogênita de 2 anos com a chegada do seu caçula que agora tem 7 meses. “Já na gestação ela mudou. Fazia manha para chamar a atenção e dizia que tudo era dela. Quando o conheceu, gritou um sonoro ‘não’”.

Vanessa conta que sua filha mescla entre querer cuidar e sentir ciúmes do irmão. “Ela implica, mas também briga quando ele chora. E grita quando ele dorme. Sei que o ama, mas não quer dividir a atenção dos pais”.

As duas mamães optaram pelo mesma saída: o diálogo. “Algumas pessoas me orientaram a procurar uma psicóloga. Mas eu acreditava e sentia que não era para tanto. Comecei a conversar com ela. Eu sabia que era importante fazer ela perceber que, independente de estar ou não no foco, é parte importante e insubstituível da nossa família”, afirma Karine.

O mesmo fez Vanessa. “Expliquei que ela é a minha menininha, mas que ele é um bebê e ainda não sabe fazer as coisas como ela. Que ele precisa de cuidados e que ela, como irmãzona, pode ajudar o papai e a mamãe”.

A psicóloga aponta que, de fato, o diálogo é a saída. “Uma outra dica é fazer o possível para manter o filho mais velho na rotina. Os pais devem tentar sair com ele, às vezes pedir ajuda. É cansativo, mas a criança precisa disso para se sentir querida e conseguir amar o irmãozinho que chegou”.

Sobre o segundo filho
“Às vezes, a gente percebe no segundo filho que poderia ter feito diferente com o primeiro e isso gera um sentimento de culpa. Mas está tudo bem. É um aprendizado. Nem a criança e nem os pais vem com manual de instruções”, informa a psicóloga.