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Projeto visa estimula empreendedorismo em vilas e favelas de Belo Horizonte

Crédito: Paulo Silva

O projeto FA.VELA é a primeira aceleradora de negócios voltada para empreendedores de vilas e favelas do Brasil. A organização da sociedade civil tem como objetivo estimular moradores dessas regiões a alcançar o potencial máximo que suas ideias podem gerar. Com 3 anos de atuação, a organização já acelerou 131 empreendedores que estão à frente de 122 negócios em Belo Horizonte e Região Metropolitana.

O cofundador e presidente do FA.VELA, João Souza, explica um pouco sobre o funcionamento do projeto. “A lógica da aceleradora é trabalhar com a área da formação e capacitação desse empreendedor no sentido de impulsioná-lo”.

Ele acrescenta que o nome da organização foi escolhido para fazer uma alusão ao objetivo. “Escrevemos FA.VELA, com o ponto, porque entendemos que nunca íamos conseguir ensinar as pessoas a empreender afinal elas já faziam isso. A gente tem a intenção de ser uma vela, de direcionar”.

Para ele, o projeto é importante porque empodera as pessoas. “Existem muitas ofertas de capacitação para empreendedores, startups e negócios fora desses territórios vulneráveis. Aí a gente entendeu que precisava criar uma solução que levasse esse conhecimento e oportunidade para dentro desses territórios. Quando começamos, em 2014, no Morro do Papagaio, centramos tudo nessa perspectiva de levar conhecimento, tecnologia e ações de mercado às periferias”.

Esse empoderamento fez toda a diferença para o Guilherme Fernandes da Silva, idealizador da Guaracy, empresa que fornece mão de obra e consultoria relacionada ao mercado da agroecologia. Ele participou da primeira edição do Corre Criativo, programa que faz parte do FA.VELA, no qual os selecionados recebem, gratuitamente, aulas de gestão, comunicação e marketing, educação financeira, design de serviços, além de mentorias individuais, workshops e visitas de campo, entre outras capacidades necessárias para a criação e aceleração de empreendimentos de sucesso.

Ele recorda que, antes de participar do Corre, sua ideia não tinha saído do papel. “Participando do curso consegui transformá-la em um plano de negócios. Eu ainda sou Micro Empreendedor Individual, mas tenho a intenção de criar uma empresa”.

Silva explica que participar de um projeto como esse faz com que as pessoas recebam informações e passem a solucionar problemas e aceitar desafios. “A gente cresce e fica a mercê de que terceiros resolvam tudo por nós. Vivemos num sistema no qual não somos empoderados a buscar a solução para as coisas”.

Para ele, conhecer pessoas com questões semelhantes a dele foi de suma importância. “Consegui encontrar gente igual a mim. Com os mesmos problemas e na mesma situação de marginalização. O projeto proporciona que tudo vire uma cadeia de ajuda mútua”, conclui.

Corre Criativo

Para fazer parte do Corre Criativo, basta ter espírito empreendedor; ensino fundamental completo; ter entre 18 e 29 anos; ser morador de comunidade de baixa renda da Grande BH; e ter um negócio ou uma ideia de empreendimento. O curso tem duração aproximada de 4 meses, com início no dia 21 de agosto até 6 de dezembro de 2018, de segunda a quinta, de 19h às 21h, no Centro de Referência da Juventude.

Outra novidade é a Batalha do Corre, atividade competitiva para incentivar os jovens a vender/apresentar de forma mais dinâmica suas ideias, dentro do evento Esquenta para o Corre. Os participantes irão receber formação por meio de palestras, oficinas e mentorias de até 30 minutos, oferecidas por jovens já acelerados na primeira edição do Corre Criativo. Os vencedores de cada rodada irão para uma disputa final, com premiação para o 1º lugar (R$ 500,00), 2º lugar (R$ 300,00) e 3º lugar (R$ 200,00).