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Gordofobia: o peso de estar acima do peso

“Já passei por diversas situações constrangedoras. Uma das mais recentes e que me deixou mal foi comprar um terno. Entrei na loja, e como sei que meu tamanho GG é mais difícil de encontrar, fui direto perguntar ao vendedor do estabelecimento. Ele olhou na minha cara com um sorriso debochado e respondeu que a loja não faz roupa para gente gorda. Pedi para falar com o gerente, mas no final não deu em nada. Fiquei arrasado nesse dia”.

Esse é o relato do estudante Rafael Correa, 22 anos, que sente na pele o preconceito por estar acima do peso. E os desafios enfrentados por pessoas gordas estão em toda parte. Seja na hora de comprar uma roupa, escolher o lugar no transporte público, viajar de ônibus ou avião, passar pela catraca, sem falar nos comentários ofensivos, as piadinhas preconceituosas e as observações maldosas disfarçadas de preocupação. Tudo isso tem o nome de gordofobia, um termo utilizado para definir o preconceito por quem tem sobrepeso.

Frases gordofóbicas disfarçadas de boas intenções:
“Só estou preocupado (a) com a sua saúde”

“Você seria linda (o) se perdesse peso”

“É pelo seu bem”


Discriminação

Rafael conta que sempre teve problemas com a balança. “Desde criança, sempre fui mais gordinho e nunca me importei com isso. Quando cheguei à adolescência a situação foi ficando um pouco mais complicada. Eu ouvia algumas piadinhas, do tipo a baleia está fora do mar, bujão de gás, não pula para não dar terremoto, não vai comer o restaurante todo”, relembra.

O rapaz diz que já sofreu muito e teve sua autoestima afetada. “Na praia não tiro a camiseta e não gosto de entrar no mar, porque as pessoas ficam olhando e rindo. Sabe o que é olhar no espelho e desejar que aquele corpo não fosse o seu? Por diversas vezes pensei dessa forma e me perguntava o que tinha de errado comigo. Fiz várias dietas que deram algum resultado, mas em pouco tempo eu ganhava peso novamente”.

O estudante relata que na faculdade o preconceito diminuiu, mas ainda existe em seus mínimos detalhes. “Tenho amigos que me chamam de gordinho gostoso e pensam que isso é um elogio, quando não é na verdade. Tem pessoas que vivem me recomendando emagrecer. Mas não é porque sou gordinho que minha saúde está ruim. Na medida do possível, tento levar a vida normalmente e não ligar para os comentários maldosos das pessoas”, finaliza.

Consequências

Para a psicóloga Nayara Macedo, esse é um preconceito muito presente na sociedade. “O padrão de beleza imposto e aceitável hoje é de uma pessoa magra. Qualquer imagem diferente disso é rejeitada”. Ela afirma que chega ao ponto de muitos pacientes não quererem sair de casa para evitar as piadinhas e/ou constrangimentos. “A gordofobia traz consequências severas como, por exemplo, a dificuldade de socialização. As pessoas começam a se sentirem erradas e fora dos padrões, com isso, acabam se isolando”.

Ainda de acordo com a psicóloga, procurar ajuda é importante para auxiliar quem está passando por esta situação. “A pessoa precisa expressar seus sofrimentos. Ficar escondendo de si mesma o problema e se isolar é ainda mais prejudicial, pois fica nutrindo esse sentimento ao invés de enfrentá-lo. A ideia da terapia é mostrar que as pessoas que têm preconceito é que estão erradas e não quem está sendo alvo dele”.

Você sabia?
O tema está sendo tratado na novela Malhação – Vidas Brasileiras, da Rede Globo. A personagem Úrsula, vivida pela atriz Guilhermina Libanio, é vítima de gordofobia e vive os conflitos com o corpo e o preconceito por não estar dentro de um padrão de beleza imposto pela sociedade.
Daniel Amaro
Formado em jornalismo, Daniel tem 25 anos e possui experiência em assessoria de comunicação voltado para produção de conteúdo para web. Ama escrever sobre política, cultura, economia e saúde. É apaixonado por jornalismo investigativo e estudar inglês. É perseverante e adora desafios. Seu hobby preferido é viajar.