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Orléans e Bragança querem reinstalar monarquia no país

Família real brasileira - crédito: reprodução/internet

Nas últimas semanas, a popular família real britânica esteve constantemente na mídia. O motivo? O casamento do príncipe Harry e Meghan Markle, agora Sua Alteza Real Duque e Duquesa de Sussex. Aprovado por alguns, criticado por outros, a realeza nos aproxima dos contos de fadas com direito a romances, escândalos, coroa, história e muito mais.

Contudo, essa não é uma realidade distante dos brasileiros. Os descendentes de Dom Pedro I ainda pregam a monarquia por aqui. Um recente texto publicado na página oficial da família informou que alguns membros “têm viajado por todo o Brasil, a fim de conhecer nosso país a fundo e travar contato com brasileiros das mais diversas origens, em preparação para o papel que a Divina Providência e a História lhe reservaram para o futuro – a Chefia da Casa Imperial do Brasil e, se for da vontade de Deus e do povo brasileiro, a posição de Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”.

Em resumo: a intenção da Casa Imperial do Brasil é reinstalar a monarquia nos próximos anos. Mas será que se trata de um regime positivo para o país? Para saber mais sobre a família real brasileira e entender um pouco mais sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com o professor e doutor em história Luiz Arnaut.

Quem é a família real brasileira?

Eles vieram de Portugal com Dom João, Dom Pedro I e II. Depois se casaram com outras famílias europeias. A atual família se apresenta como descendente direta de Dom Pedro tanto que o título que eles querem usar, inclusive, é o dado a ele em 1824 de Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil.

Atualmente eles têm algum poder no país?

Nenhum. A família tem uma relação com Petrópolis, que é onde fica o Palácio Imperial. Lá eles possuem também um ganho em cima de terrenos comercializados, conhecido como “taxa do príncipe”. De uma maneira geral, a única coisa que eles têm é o nome e o fato de manterem o título. Mas não são nenhuma força política considerável.

Sendo assim, a família real não tem nenhum impacto na vida do brasileiro?

Em minha avaliação, não. São pessoas que, de alguma forma, estão vivendo no passado, achando que a monarquia pode voltar e que não tem nenhum poder afetivo, corrente de opinião, além de não constituírem uma força política que tenha que negociar. Estão fora do cenário há mais de 100 anos. É possível que tenha brasileiro que nem saiba que eles existem. E o fato deles terem um discurso como se fosse imperadores do país, choca até quem os conhecem. Eles possuem o título, mas o Brasil não é monarquia.

Um dos membros da família, Dom Bertrand Maria José de Orléans e Bragança, disse, em um discurso, que jamais autorizaria o casamento de um herdeiro do trono com uma mulher no perfil de Meghan Markle. Ela é feminista, atriz e divorciada. A família real brasileira mantém um perfil conservador?

Os monarquistas, de um modo geral, são mais conservadores. Contudo, parece que há uma divisão interna. Existe um grupo que é mais conservador que, em um momento, até se aproximou de uma organização católica pró-fascista do Brasil. E outro mais moderno, ou seja, eles têm diferenças grandes. Nem todos falam a mesma língua. Mas a ala que é mais vista. porque ocupa o espaço da imprensa, é profundamente conservadora. Parece que ainda não entraram no século XXI.

A pró-monarquia é uma realidade entre a população?

Até onde percebo existem pessoas dos mais variados níveis sociais que são pró-monarquistas. Mas é um grupo pequeno no qual muitos fazem referência a um projeto modernizador da monarquia do final do século XIX, como a princesa Isabel. Assim, eles têm uma afinidade ao reinado ou uma grande crítica à república. E convenhamos que o país virou um caos. Ele nasce de um golpe, por isso alguns argumentam que a monarquia poderia garantir o equilíbrio. Boa parte das pessoas que defendem a ideia visa um sistema político mais equilibrado e menos sujeito a golpes, principalmente com tudo o que tem acontecido em nossa nação.

A família real pretende se tornar mais popular nos próximos anos a fim de tentar reinstalar a monarquia. Há possibilidade de isso acontecer?

Do jeito que o mundo está tudo é possível. Mas, em termos objetivos, é pouco provável. A pretensão deles é fazer uma grande campanha percorrendo o Brasil, tentando sensibilizar a população com a bandeira monárquica e depois implantá-la aqui. Mas esse discurso não tem grande penetração, pois não parece um projeto de mudança ou político-social capaz de comover a população. O que eu vejo é uma família que está ligada ao poder há anos e tem a expectativa de voltar a ele. Mas é isso, um propósito familiar. Não vejo possibilidade de isso convencer os brasileiros que enfrentam inúmeras outras demandas. Na atual situação, o país ser republicano ou monárquico é o menor dos problemas, as pessoas estão preocupadas com outras coisas, como as crises que têm afetado o dia a dia.

Quais seriam as principais mudanças que o país sofreria se a monarquia fosse reimplantada?

A mais significativa é que muda o chefe do Estado. Deixa de ser um presidente e passa a ser um Imperador – isso se eles mantiverem mesmo o título de Dom Pedro. Outras mudanças dependerão do que for implementado, não existe um modelo preestabelecido, porque é feito de lugar para lugar. Cada país adequou isso à sua realidade de uma forma particular. Outro ponto é que teríamos que arcar com os custos dessa família.

A Espanha e a Inglaterra, dois países que possuem famílias reais ativas, são monarquias parlamentares. O monarca ou a rainha é o Chefe do Estado e tem os governos que são liderados pelos primeiros ministros. O chefe de Estado participa, de alguma forma, do jogo político. Imagino que aqui no Brasil seria assim.


Atualmente, a família real é composta pelas seguintes pessoas:

Sua Alteza Imperial e Real, D. Luís Gastão, chefe da Casa Imperial do Brasil e príncipe de Orléans e Bragança (trineto de D. Pedro II)
Sua Alteza Imperial e Real, D. Bertrand, príncipe imperial do Brasil e príncipe de Orléans e Bragança
Sua Alteza Real, D. Antônio, príncipe do Brasil e príncipe de Orléans e Bragança
Sua Alteza Real, D. Cristina, princesa do Brasil e princesa de Orléans e Bragança
Sua Alteza Real, D. Rafael, príncipe do Brasil e príncipe de Orléans e Bragança
Alteza Real, D. Maria Gabriela, princesa do Brasil e princesa de Orléans e Bragança
Sua Alteza, D. Eleonora, princesa de Ligne