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Urticária Crônica Espontânea atinge 1 milhão de brasileiros

Lesões na pele, inchaços repentinos e coceira intensa. Esses são os principais sinais da Urticária Crônica Espontânea (UCE), patologia que acomete cerca de 1 milhão de brasileiros. Mesmo com o número expressivo, a doença é desconhecida por cerca de 91% das pessoas. A UCE acomete ainda 1% da população mundial e é considerada mais impactante que doenças como hanseníase e psoríase.

De acordo com o alergista e imunologista, Fernando Aarestrup, a doença é caracterizada como um quadro crônico e sem causa externa. “A patologia é autoimune. As manchas aparecem de maneira espontânea e somem. Depois reaparecem em outro lugar e sem motivo aparente. As crises podem ser diárias, durar alguns dias ou por um período que excede 6 semanas consecutivas”.

As mulheres são as mais acometidas pela patologia, estando duas vezes mais propensas a UCE. Segundo o especialista, não existe um motivo exato para isso. “Estima-se que pelo estilo de vida e fatores emocionais. A etiologia é complexa e varia de paciente a paciente, mantendo o mesmo quadro clínico e característico, ou seja, as causas são várias, mas a manifestação clínica e estratégia de tratamento são as mesmas”.

Tratamento
Cerca de 25% dos pacientes com UCE não têm o controle adequado dos sintomas. Mas, com o tratamento correto, 92% dos acometidos pelo problema podem obter uma melhora completa da patologia. O médico explica que, há uns anos, existiam algumas possibilidades de tratamento, mas que não resolviam todos os casos. “A gente utilizava antialérgicos, porém sempre tínhamos uma porcentagem de pacientes que não apresentava melhora”.

Atualmente, o tratamento inicial é feito com a medicação anti-histamínica não sedantes, que agem diretamente bloqueando a ação da histamina (substância produzida pelo organismo em resposta à presença de alégeno). De acordo com diretrizes internacionais, o médico pode aumentar a dose do anti-histamínico caso o paciente não obtenha o controle com a posologia inicial, após um período de duas a quatro semanas.

3 mil dias
A design Valéria Rezende foi acometida com UCE há 14 anos. “Os primeiros sintomas apareceram quando eu tinha 11 anos. Pensei que fosse alergia, porque tinha acabado de chegar de uma viagem, mas os episódios começaram a se repetir de maneira frequente e as manchas aparecerem em locais diferentes”.

Além da vermelhidão na pele, a design teve outros sintomas, como coceira, inchaço nos olhos e na palma da mão. “Cheguei a tomar antialérgico na veia em uma das minhas idas ao hospital”.

Ela recorda que passou por vários diagnósticos errados até descobrir a UCE há 5 anos. “Vivi 9 anos sem saber o que de fato eu tinha. Pensaram ser alergia, verme, várias coisas. Hoje faço um tratamento contínuo com um imunobiológico”.

Quando a patologia começou a ser controlada, Valéria refletiu toda sua jornada e decidiu abrir um canal no YouTube a fim de ajudar pessoas que também sofrem com o problema. “Foi difícil porque não tinha nenhuma informação acerca na internet”.

O nome do canal é “3 mil dias” que foi exatamente o período de tempo em que Valéria tinha os sinais sem saber do que se tratava. “Lá eu falo, exclusivamente, da UCE. Minha intenção é que outras pessoas não demorem o mesmo tempo que eu para receber o diagnóstico e, enfim, fazer o tratamento adequado”.

Acesse a página da Valéria no Facebook e tenha acesso a todo o conteúdo relacionado a patologia, além do canal no YouTube: https://www.facebook.com/3000dias/