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Com noticiário ainda fresco na memória, “O Processo” registra o impeachment de 2016 para história

Certa que presenciava um dos períodos mais caóticos e importantes da história recente do Brasil, a diretora Maria Augusta Ramos foi à Brasília com sua equipe e fez morada pelos corredores, gabinetes e sessões do Congresso Nacional, registrando o processo que levou ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Não por menos, “O Processo” entrega exatamente o que o nome dado ao documentário sugere: o passo a passo do impeachment. Ainda que contemple argumentos da bancada do PSDB e da Comissão Especial do Impeachment (CEI2016), o caminho mais percorrido pela câmera é acompanhando a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT-PR). Lindbergh Farias (PT-RJ), o advogado de defesa da ex-presidente, José Eduardo Cardozo, e a advogada da acusação Janaina Paschoal são alguns dos outros personagens em foco.

Logo no início, o documentário mostra cenas que evidenciam um país dividido. Do lado de fora do Congresso Nacional se ouve de um lado “não vai ter golpe”, do outro “Lula ladrão”. Do lado de dentro, tinha início o domingo mais longo e constrangedor da história do país. Durante a sessão do dia 17 de abril de 2016, em que a Câmara dos Deputados autorizou o prosseguimento do processo de impeachment para o Senado, assistimos de tudo.

Deputados votaram “sim” pelas razões mais diversas: pelas esposas, pelas filhas (as que ainda nasceriam e as já nascidas), pelos netos e netas, pelas tias, pelos militares de 64 e até por Deus.

Apesar de prometer “bastidores nunca mostrados em noticiários”, “O Processo” mais organiza as cenas de uma perspectiva da linha de frente da defesa da ex-presidente, dando voz àqueles que, naquele momento, não tiveram tanto espaço quanto a acusação.

A ausência de cenas reveladoras, porém, não desmerece a função de registrar para a história e lembrar as futuras gerações, o caos político destas páginas brasileiras.

Dos momentos, de fato, inéditos, assistimos ao desabafo de Gleisi Hoffmann em uma das reuniões com aliados do PT: “Vamos falar sério entre nós, se a gente voltar, não vamos ter condições de governar. Não tem condição de governar. Ela [Dilma] não tem apoio aqui [no Congresso], não tem condição, não tem governo, é isso!”, declara com o semblante já cansado.

Cena de “O Processo”.

Em outro momento de reflexão e autocrítica, Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência no primeiro governo de Dilma (2011-2015), reconhece às lideranças de esquerda alguns dos erros do PT.

De sua boca, ouvimos que alguns ministros do governo dificultavam reuniões com líderes de movimentos sociais, reconhece a velha e conhecida estratégia política no Brasil: “Não adianta querer comunicação com o povo, quando só se fala com o povo em época de eleições”. E admite que o partido errou ao “encher o bolso de dinheiro” de grandes empresas de comunicação, em detrimento de ter apoiado o crescimento de uma mídia alternativa no país. O que cairia muito bem ao PT, a ex-presidente Dilma e o ex-presidente Lula em um futuro não tão distante dali.

A estreia nacional de O Processo está marcada para o dia 17 de maio.